Ibovespa recua quase 1% com aumento de aversão ao risco após escalada de conflitos EUA-Irã

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Ibovespa recua 0,93% após escalada de conflitos entre EUA e Irã (Foto: Instagram)

O Ibovespa terminou esta quarta-feira (09) em queda de 0,93%, fechando em 185.629,04 pontos, apesar de ter se afastado das mínimas do dia. A retração reflete o fortalecimento do sentimento de aversão ao risco entre os investidores nacionais após notícias sobre o agravamento dos confrontos entre Estados Unidos e Irã.
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O mercado vinha animado com a escalada nas pesquisas eleitorais de Flávio Bolsonaro (PL), mas as incertezas externas prevaleceram hoje. A intensificação dos ataques às bases e embarcações dos EUA no Estreito de Ormuz levou muitos investidores a rever suas posições, alinhando as operações ao cenário global de maior cautela.
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Na mesma sessão, o petróleo Brent para novembro, negociado na ICE de Londres, subiu 3,36%, alcançando US$ 101,21 o barril e retornando ao pico visto no fim de julho. O repique da commodity desencadeou realocações de ativos por parte dos gestores ao redor do mundo, preocupados com possíveis impactos inflacionários que podem pressionar custos e margens de empresas.

Dentro das blue chips, a Petrobras foi a única a registrar desempenho positivo, impulsionada pela alta do petróleo. Os papéis da estatal se beneficiaram diretamente do aumento internacional do Brent, enquanto o restante do índice sofreu com o risco externo predominante e a persistente volatilidade.

“O mercado segue muito sensível a surpresas, sobretudo em cada nova fase do mesmo conflito”, comenta Rodrigo Knudsen, sócio da Portogallo Family Office. “Enquanto não houver um desfecho claro para a tensão entre EUA e Irã e para as incertezas políticas locais, as oscilações devem continuar intensas.”

Na reta final do pregão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou decreto que reduz o PIS/Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro e zera a tributação do etanol com corte de R$ 0,19 por litro. Também foi publicada uma medida provisória que concede alívio de R$ 1 por litro no diesel. No entanto, especialistas destacam que o efeito sobre o mercado de ações foi restrito.

“Com o Brent perto de US$ 100, a pressão inflacionária limita espaço para cortes de juros, o que penaliza ativos de risco”, afirma Rodrigo Alvarenga, sócio da One. “Na minha visão, o movimento das ações do setor de combustíveis tem mais a ver com a alta internacional do petróleo do que com as medidas domésticas.”

Lucas Tambellini, head de renda variável da Lifetime, concorda que as medidas do governo tiveram impacto modesto. “O Ibovespa mudou pouco após o anúncio. Continuamos importando o movimento de aversão ao risco global, mas vejo potencial de valorização aqui, já que nossa bolsa ainda está com valuation descontado.”