Uma pequena marca escura próxima ao olho de Harper Walker, então com 15 meses, foi o primeiro sinal percebido pelos pais antes de a menina ser diagnosticada com um neuroblastoma em estágio quatro e de alto risco. Adam e Jenny inicialmente acreditaram que a filha havia se machucado com um brinquedo, mas exames posteriormente mostraram que o câncer já havia atingido diferentes regiões do corpo.
A família procurou atendimento médico em fevereiro de 2023, em Swinton, na Grande Manchester. A preocupação aumentou depois que a marca começou a mudar e os pais perceberam uma alteração no olho da menina.
“Quando vimos pela primeira vez um pequeno ponto preto perto do olho dela, pensamos que era um hematoma por ela ter se batido com um brinquedo, já que tinha acabado de começar a se movimentar mais. Então começou a mudar. No início, os médicos não estavam preocupados. Mas depois percebemos que o olho dela começou a subir, como se ela tivesse um olho preguiçoso”, contou Jenny.
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Os exames identificaram um neuroblastoma, tipo raro de câncer diagnosticado em cerca de 100 crianças por ano no Reino Unido, principalmente menores de 5 anos. Os tumores se desenvolvem a partir de células nervosas especializadas chamadas neuroblastos, que permanecem após o desenvolvimento do bebê no útero.
Quando a doença foi descoberta, já estava presente no crânio, nos ombros e na medula óssea de Harper. Segundo Jenny, também havia câncer nas costelas e nas pernas e começava a se formar na pelve. A menina iniciou imediatamente o tratamento no Royal Manchester Children’s Hospital. “Harper era um bebê muito sorridente e continuou muito feliz. O limiar de dor dela deve ser altíssimo. Mas ela tinha [câncer] nas costelas, pernas, começando a se formar na pelve… ela estava tomada da cabeça aos pés por câncer e tumores”, afirmou a mãe.
Os pais foram informados de que Harper tinha 50% de chance de sobrevivência e 60% de risco de recaída. Caso a doença retornasse, a possibilidade de sobrevivência seria de 5%. “Quando Adam me contou, foi muito difícil processar. Eu simplesmente pensei que iríamos perdê-la. E quando nos disseram as chances de sobrevivência e recaída, eu fiquei apavorada. O de Harper era estágio quatro, de alto risco… ela tinha o pior que você poderia ter”, relatou Jenny.
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Harper passou por cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Durante o tratamento, Adam e Jenny pesquisaram alternativas para reduzir o risco de a doença retornar e conheceram o DFMO, utilizado como terapia de manutenção em pacientes com neuroblastoma de alto risco.
O medicamento é administrado a pacientes pediátricos em remissão após o tratamento e atua bloqueando uma enzima importante para o crescimento das células cancerígenas. Embora não seja aprovado no Reino Unido, seu uso é autorizado nos Estados Unidos.
Familiares, amigos e outras pessoas se mobilizaram para arrecadar dinheiro, permitindo que Harper recebesse o tratamento em um hospital na Pensilvânia, nos Estados Unidos. A etapa foi concluída em julho. O medicamento afetou a audição da menina e fez com que ela precisasse usar óculos.
Depois dos tratamentos, a família recebeu a confirmação de que Harper, atualmente com 4 anos, estava livre do câncer. “Descobrir que Harper estava livre do câncer foi incrível. Sinceramente, não conseguíamos acreditar parecia um sonho. Algo que esperávamos há tanto tempo realmente se tornou realidade. Ela é o nosso pequeno milagre”, disse Jenny.
Atualmente, Harper frequenta aulas de dança e ginástica e anda de bicicleta. Ao lado dos pais, ela também participa de uma campanha para ampliar o reconhecimento de crianças que sobreviveram a doença.














