
Nas negociações entre EUA e Irã, cada movimento é como uma aposta de alto risco. (Foto: Instagram)
Mediadores de países terceiros seguem empenhados em costurar um acordo entre os Estados Unidos e o Irã, com o propósito de reabrir o estratégico Estreito de Ormuz e pôr fim aos confrontos indiretos na região. Embora Washington demonstre disposição ao diálogo, fontes apontam que as diferenças sobre o programa nuclear iraniano permanecem como o principal entrave. Três autoridades regionais e duas americanas, ouvidas pela Associated Press, afirmaram que os negociadores trabalham em sigilo para conciliar as demandas de ambos os lados e restaurar a livre circulação marítima.
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As conversas ocorrem por vias indiretas, em meio a um conflito que já dura oito meses e tem provocado impactos econômicos em escala global. O Irã, em particular, sente o peso das sanções e bloqueios, enquanto diversas iniciativas para garantir segurança e fluxo regular de embarcações na rota, considerada vital para o comércio internacional, não avançaram. A instabilidade no Golfo Pérsico elevou o custo do transporte de petróleo e gerou apreensão nos mercados de energia.
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No início, o presidente Donald Trump chegou a rejeitar uma proposta de Teerã que previa a reabertura do estreito em até sete dias, contornada pela suspensão do bloqueio a portos iranianos, liberação de ativos congelados e isenção de sanções sobre exportações de petróleo. Fontes do governo americano revelaram que, apesar da postura robusta, Trump mantém interesse em uma solução diplomática que possa preservar os interesses dos EUA e conter a escalada militar.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, permaneceu em Nova York após a Assembleia Geral da ONU para avançar nas negociações. Nesta semana, Araghchi teve reuniões com mediadores do Catar, buscando alinhar os termos de um possível acordo. Autoridades ouvidas ressaltam que, embora o Irã demonstre flexibilidade em pontos nucleares, ainda não há convergência quanto ao cronograma de implementação das contrapartidas e tampouco sobre quem fará a primeira concessão.
Segundo outra fonte norte-americana, o governo Trump condiciona o fechamento do pacto ao progresso efetivo nas negociações nucleares. Em troca de mudanças palpáveis no programa atômico iraniano, os EUA estariam dispostos a aliviar parte das sanções contra o Irã e liberar recursos financeiros bloqueados, mantendo, porém, algum grau de pressão. A incerteza sobre a definição de marcos e prazos para fiscalização tem mantido as conversas emperradas.
O rascunho de proposta em análise inclui também um acordo paralelo que o Irã negocia com Omã, situado no lado oposto do estreito. Esse documento prevê a reabertura sem a cobrança de pedágio – reivindicação histórica de Teerã – e a criação de um mecanismo temporário de gestão do tráfego marítimo. Caso aprovado, esse arranjo temporário buscaria restabelecer a rota como um corredor internacional antes do aprofundamento das hostilidades.






