Cancelar planos para ficar em casa pode fazer bem à saúde mental, dizem psicólogos

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Sentir vontade de desmarcar um compromisso e passar o dia em casa pode não ser sinal de preguiça ou isolamento. Segundo pesquisas citadas por especialistas, ficar sozinho por escolha própria pode favorecer o bem-estar emocional e até diminuir a sensação de solidão. Um estudo publicado na revista científica Nature, em 2023, observou que pessoas que escolhiam passar um tempo sozinhas relatavam menos solidão e maior satisfação. O ponto principal é que esse momento seja uma decisão pessoal, e não resultado de exclusão ou falta de opções.

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Mas por que cancelar um programa pode trazer tanto alívio? Uma das explicações é o chamado estresse antecipatório: a tensão que surge antes mesmo de um evento acontecer. Pensar no deslocamento, na roupa, nas conversas e no cansaço que uma saída pode provocar acaba tornando o compromisso mais desgastante do que o esperado. O psicólogo George Loewenstein estudou esse tipo de reação e apontou que, em determinadas situações, a ansiedade antes de um acontecimento pode ser maior do que durante ele.

Outro fator é a autonomia. A teoria da autodeterminação, desenvolvida pelos psicólogos Edward Deci e Richard Ryan, sugere que as pessoas tendem a se sentir melhor quando percebem que suas escolhas são livres. Quando encontros e atividades passam a parecer obrigações, até programas antes prazerosos podem gerar estresse. Cancelar um compromisso, nesses casos, pode devolver a sensação de controle e permitir um descanso necessário.

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Isso não significa, porém, que evitar todos os encontros seja saudável. O benefício depende da personalidade, das circunstâncias e de como a pessoa se sente com a própria rotina. Se ficar em casa é uma escolha confortável, pode ser uma forma legítima de recarregar as energias. Mas, se a vontade de se afastar dos outros se torna constante e vem acompanhada de sofrimento, solidão ou prejuízos à vida cotidiana, vale procurar orientação profissional.