
Logo da NFL pintado no gramado de um estádio durante partida (Foto: Instagram)
Um estudo publicado recentemente no British Medical Journal aponta que, entre os ex-jogadores da National Football League (NFL) que faleceram entre 2016 e 2021, pelo menos um em cada quatro apresentava encefalopatia traumática crônica (ETC) em análises post mortem. A pesquisa, conduzida por profissionais da Mass General Brigham, da Universidade de Boston e da Concussion & CTE Foundation, utilizou cérebros doados entre 2008 e 2021 para aferir a incidência dessa doença degenerativa, conhecida por desencadear sintomas progressivos e irreversíveis no sistema nervoso.
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Para estimar a prevalência da ETC, os pesquisadores analisaram um conjunto de 878 cérebros de atletas que jogaram ao menos uma partida na NFL. Como o diagnóstico definitivo de encefalopatia traumática crônica só é possível após a morte, o grupo ajustou um modelo estatístico que considerou o período de maior volume de doações, dados demográficos dos ex-jogadores e informações constantes em suas certidões de óbito, buscando projetar esses resultados para toda a população estudada.
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A partir dessa modelagem, concluiu-se que, no mínimo, 25% dos atletas presentes na amostra tinham sinais de ETC. Esse percentual representa o limite inferior da estimativa, conforme explica o principal autor do estudo, Daniel Daneshvar. O modelo também indicou que a taxa máxima plausível poderia chegar a aproximadamente 97%, embora a estimativa real de prevalência deva situar-se em algum ponto intermediário entre esses valores.
A preocupação com os impactos repetidos na cabeça no futebol americano tem se intensificado nos últimos anos. Por ser um esporte de contato extremo e com frequentes colisões, a NFL registra elevadas taxas de choques cranianos durante os jogos. Diante desse cenário, diversos jogadores optaram por interromper prematuramente suas carreiras para minimizar o risco de complicações neurológicas permanentes, que podem afetar memória, comportamento e funções motoras.
Um caso emblemático dessa discussão envolve Tua Tagovailoa, ex-quarterback do Miami Dolphins e, atualmente, do Atlanta Falcons. Desde sua estreia na liga, Tagovailoa sofreu três concussões documentadas: duas em 2022 e outra em 2024. Mesmo em atividade, suas lesões reabrem o debate sobre os protocolos de segurança adotados pela NFL e os riscos inerentes aos choques repetitivos na cabeça.
Em paralelo, outra investigação publicada em junho de 2023 na revista Nature Communications reforçou a ligação entre a exposição acumulada a impactos cranianos e a ocorrência de ETC em ex-atletas. Nesse estudo, foram utilizados sensores instalados nos capacetes durante jogos e exames de cérebros doados por jogadores aposentados. Os pesquisadores correlacionaram dados sobre a frequência e a força dos choques medidos pelos dispositivos com alterações microscópicas encontradas nos tecidos cerebrais, concluindo que a quantidade e a intensidade dos impactos influenciam diretamente o desenvolvimento da doença.





