
Trump defende reunificação da Irlanda em encontro com o premiê irlandês (Foto: Instagram)
Durante visita a Dublin para assistir ao Aberto da Irlanda de golfe, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou neste sábado (12) que uma Irlanda unificada seria “fantástica”. Em encontro com o primeiro-ministro irlandês Micheál Martin, ele disse que deseja ver a República da Irlanda e a Irlanda do Norte juntas novamente e acredita que “isso vai acontecer mais cedo do que se imagina”, ressaltando, porém, que “o Reino Unido terá algo a dizer sobre isso”.
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Logo depois desse encontro, Trump também conversou com a presidente da Irlanda, Catherine Connolly, que criticou seu primeiro mandato em 2019. A fala de apoio à reunificação, num tema que líderes anteriores dos EUA evitavam comentar abertamente – inclusive Joe Biden, com forte ligação cultural à ilha –, surpreendeu diplomatas e analistas locais.
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A divisão da Irlanda remonta ao início do século 20, quando, em 1921, a Grã-Bretanha permitiu a formação de um Estado autônomo de maioria católica no sul, enquanto seis condados do norte, com maioria protestante, permaneceram sob o Reino Unido. Esse arranjo deu origem à Irlanda do Norte, onde disputas identitárias entre nacionalistas e unionistas desencadearam décadas de violência.
Os “Troubles” duraram cerca de trinta anos e causaram a morte de aproximadamente 3.600 pessoas, envolvendo grupos paramilitares e tropas britânicas. Após intensos conflitos, o Acordo de Belfast, em 1998, ajudou a reduzir drasticamente a violência, mas deixou em aberto o debate político sobre o futuro status da região.
No sábado, Trump foi recebido pela presidente Connolly em sua residência, Áras an Uachtaráin, no Phoenix Park. Connolly, eleita para um cargo com forte carga cerimonial, já havia chamado Trump de “valentão” e criticado sua política externa. Após o aperto de mãos e a inspeção da guarda de honra, os líderes seguiram para conversas a portas fechadas.
A chegada do presidente republicano provocou cordões de isolamento em torno do Phoenix Park e da residência do primeiro-ministro em Farmleigh. Moradores relataram transtorno no trânsito, enquanto manifestantes de partidos de esquerda, grupos pró-Palestina e ambientalistas planejavam protestos. O taxista Christopher Fox criticou a “bagunça” na cidade, e a estudante Mina Petrovski classificou como “vergonhosa” a recepção que o governo irlandês deu a um presidente cujas atitudes, segundo ela, são “abomináveis” para mulheres e imigrantes.
Eric Trump, filho do presidente, defendeu a presença da família no país e destacou o impacto econômico do resort Trump International em Doonbeg, maior empregador da região. Ele também ressaltou o apreço dos irlandeses pela família. Durante sua estadia, Donald Trump manteve-se fiel à rotina de fim de semana, praticando golfe em suas propriedades – hábito que inclui clubes na Flórida, Nova Jersey, Virgínia e agora a costa oeste da Irlanda.






