
Dólar fecha em baixa de 0,32% com cenário eleitoral e alta do petróleo (Foto: Instagram)
Na segunda-feira, o dólar iniciou a semana com queda moderada no mercado local, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior, apesar de algumas divisas latino-americanas terem apresentado perdas. Operadores comentam que o câmbio devolveu parte dos ganhos registrados na sexta-feira, motivados por uma nova série de pesquisas que indicam disputa acirrada pelo Palácio do Planalto. Durante a formação da última taxa Ptax de agosto, a moeda oscilou e chegou a marcar mínima de R$ 5,1615. Com máxima de R$ 5,1892 no período da tarde, o dólar fechou em R$ 5,1801, queda de 0,32%, mas ainda acumula alta de 2,16% no mês, após recuo de 1,79% em julho.
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O operador sênior Fernando Cesar, da AGK Corretora, destaca que a forte alta vista na sexta, quando o dólar bateu R$ 5,23 antes de voltar a operar abaixo de R$ 5,20, parece ter gerado apenas um ajuste técnico nesta segunda, com possível influência pontual das pesquisas eleitorais, sem alterar de forma significativa o cenário. A pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta manhã, apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47,1% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 42,6% de Flávio Bolsonaro, reduzindo a diferença em 1,8 ponto percentual. Já o levantamento do BTG/Nexus indicou empate técnico entre os dois. Outro destaque é o crescimento de Augusto Cury (Avante), que subiu para o terceiro lugar em ambas as sondagens, minando a possibilidade de vitória de Lula ainda no primeiro turno.
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Para o economista Fabrizio Velloni, este fortalecimento da oposição, com empate técnico entre Lula e Flávio, pode aliviar a pressão sobre o câmbio, já que o mercado costuma ver com mais otimismo a perspectiva de um governo de direita, capaz de adotar políticas de contenção de gastos públicos. Ele também ressalta que a intensificação do conflito no Oriente Médio tende a beneficiar exportadores de petróleo como o Brasil.
As cotações do petróleo reagiram com alta de quase 3%, impulsionadas por ataques e contra-ataques no Golfo Pérsico. O contrato do Brent para novembro superou os US$ 90 o barril depois de os Estados Unidos bombardearem partes da ilha iraniana de Larak, ação considerada violação de soberania por Teerã. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra bases militares americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.
O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,29% perto do fim da tarde, aos 99,412 pontos, após mínima de 99,370. As taxas dos Treasuries de prazo mais longo subiram cerca de cinco pontos-base, enquanto o rendimento do título de dois anos praticamente se manteve estável, após disparada provocada pelo discurso do presidente do Federal Reserve, Christopher Waller, na sexta-feira passada.
Investidores agora aguardam o relatório de empregos (payroll) de agosto, previsto para sexta-feira (04), a fim de ajustar suas expectativas quanto à política monetária americana. Segundo José Faria Júnior, sócio-diretor da Wagner Investimentos, o Fed ainda enfrenta um desafio de credibilidade: “Embora Waller defenda a necessidade de reduzir a inflação até a meta de 2%, falta traduzir esse discurso em ações concretas.”






