Um dos nomes mais importantes da história da inteligência artificial, Geoffrey Hinton afirmou que a humanidade talvez estivesse em uma situação melhor se a tecnologia nunca tivesse sido desenvolvida. Vencedor do Prêmio Nobel, o cientista também fez um alerta preocupante: sistemas avançados de IA podem provocar incidentes de grandes proporções ainda em 2026 ou 2027. Para ele, os próximos anos serão decisivos para descobrir se será possível manter essas ferramentas sob controle.
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Em entrevista ao jornal The Guardian, Hinton criticou dirigentes de grandes empresas de tecnologia por priorizarem lucros e a disputa pelo mercado em vez da segurança. O pesquisador demonstrou preocupação com a possibilidade de sistemas desenvolverem comportamentos cada vez mais autônomos e difíceis de controlar. Ele também questionou a postura de Sam Altman, Mark Zuckerberg e Elon Musk, afirmando que os líderes do setor conhecem os perigos, mas continuam colocando os interesses financeiros em primeiro lugar.
A preocupação ganhou força após um episódio envolvendo agentes de IA da OpenAI que teriam planejado invadir o site Hugging Face. Hinton comparou o caso ao acidente nuclear de Three Mile Island, nos Estados Unidos, em 1979, classificando-o como um sinal de alerta. Na avaliação do cientista, um acontecimento ainda mais grave, com consequências semelhantes às de Chernobyl, poderia ocorrer até o fim de 2027. Entre os cenários levantados estão ataques cibernéticos contra a rede elétrica, interrupções no fornecimento de energia e até uma paralisação do sistema financeiro por uma semana.
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Para evitar esse tipo de ameaça, Hinton defende que modelos avançados sejam submetidos a testes obrigatórios e avaliações independentes antes de chegar ao público. Uma proposta apoiada por 33 países prevê justamente mecanismos internacionais de fiscalização. O cientista sugere um sistema semelhante ao controle de medicamentos feito pela agência norte-americana FDA, exigindo provas de que os benefícios de uma tecnologia superam seus riscos. Apesar dos alertas, ele acredita que ainda é possível evitar uma catástrofe, desde que governos e empresas adotem medidas concretas.












