Cachorro passa 23 dias protegendo corpo do dono desaparecido e ajuda família a encontrá-lo

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O peão rural Bernardo Quiroz, de 27 anos, foi encontrado morto após 23 dias de buscas em uma região rural próxima a Río Senguer, na Argentina. Ao lado do corpo estava Talero, cachorro que o acompanhava desde filhote e permaneceu no local durante todo o período, enfrentando neve, temperaturas baixas e dificuldades para encontrar alimento. O animal foi avistado por um familiar que havia decidido continuar procurando pelo jovem mesmo após a suspensão das operações oficiais.

Bernardo desapareceu depois de sair para buscar ajuda, na tarde de 16 de julho, quando o carro em que estava com a família apresentou um problema mecânico no campo. Ele deixou os familiares no veículo e seguiu a pé em direção a uma estância próxima, onde pretendia pedir auxílio e tentar entrar em contato com o irmão.

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Nos dias seguintes, policiais, bombeiros, integrantes da Gendarmería, equipes da Defesa Civil e familiares percorreram a região à procura do jovem. As operações também incluíram sobrevoos, mas Bernardo não foi localizado, embora a área onde seu corpo seria encontrado tenha sido examinada durante as buscas.

A localização ocorreu quando o marido de uma prima do peão rural decidiu continuar a procura por conta própria. Enquanto dirigia uma caminhonete pela região, ele avistou Talero e, ao se aproximar, encontrou o corpo de Bernardo atrás de um arbusto, a poucos metros do animal.

Segundo a polícia, a principal hipótese é que o jovem tenha morrido de hipotermia na mesma noite em que saiu para pedir ajuda. Ele teria perdido a orientação enquanto caminhava pelo terreno coberto de neve, enfrentando vento forte e temperaturas baixas com as roupas molhadas, até não conseguir mais prosseguir.

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O corpo foi encontrado a aproximadamente 35 quilômetros de Río Senguer. O ponto também fica a cerca de 10 quilômetros do rio, da estância El Cultán e da rota 43.

Durante os 23 dias em que permaneceu no campo, Talero não abandonou o dono. O cachorro teria afastado raposas, piches e aves de rapina que poderiam se aproximar do corpo. Pequenos ossos encontrados nas proximidades indicavam que ele havia caçado outros animais para conseguir alimento.

Os investigadores também identificaram buracos cavados no solo, utilizados pelo cachorro como abrigo contra o vento. Mesmo diante das condições climáticas e da falta de comida, o animal continuou dormindo próximo ao corpo de Bernardo.

Quando os policiais chegaram para realizar os procedimentos necessários, Talero reagiu com desconfiança e tentou impedir que se aproximassem do dono.

O comportamento do cachorro foi comentado pelo comissário Vicente Avilés, em declaração ao jornal argentino Diario Patagónico. “Confirma a teoria e a tradição, que diz que o melhor amigo do homem, o fiel amigo do homem, é o cachorro”, afirmou.