O cérebro das crianças passa por transformações importantes justamente no período em que elas começam a dominar habilidades como leitura e matemática. Um estudo analisou crianças entre 5 e 10 anos e identificou mudanças no funcionamento neurocognitivo e na maturação cerebral ao longo dessa fase. A descoberta reforça a importância dos primeiros anos de escolarização para o desenvolvimento de diferentes capacidades.
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Publicado na revista científica Elsevier, o estudo “Plasticidade cortical dependente da experiência em resposta à escolarização formal: efeitos nas redes para leitura e matemática” acompanhou crianças no início da vida escolar. Os pesquisadores observaram alterações em regiões do cérebro relacionadas às competências aprendidas durante esse período. A ideia central é que leitura e matemática não são habilidades simplesmente “prontas” no cérebro: a experiência de aprendê-las participa da reorganização cerebral.
Na alfabetização, por exemplo, a criança precisa reconhecer letras, relacioná-las aos sons, acessar significados, conectar palavras e compreender frases e textos. Por isso, ler não depende de uma única área cerebral, mas da atuação conjunta de sistemas ligados à visão, linguagem, atenção, memória e compreensão. A repetição dessas experiências, quando acompanhada de uma aprendizagem planejada, contribui para consolidar novas habilidades.
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Os especialistas, porém, fazem uma ressalva importante: uma determinada região do cérebro apresentar maior volume ou espessura não significa automaticamente que a criança aprendeu mais. Durante a infância, diferentes áreas podem aumentar, diminuir ou manter características enquanto o cérebro amadurece e se especializa. Assim, o desenvolvimento cerebral não segue uma regra simples de que “quanto maior, melhor”, mas envolve mudanças complexas relacionadas à maturação e às experiências vividas.












