
Morador atravessa lama e destroços em vila nepalense após enxurrada súbita (Foto: Instagram)
Uma enxurrada súbita invadiu o território nepalês na manhã de quarta-feira (26), provocando destruição generalizada e deixando um rastro de tristeza por onde passou. Até o momento, as autoridades confirmaram 157 mortes em decorrência do evento climático, enquanto centenas de pessoas continuam desaparecidas. Moradores e turistas relatam cenas de desespero e desolação, com construções soterradas e rios de lama engolindo vilarejos inteiros. Essa tragédia, agravada por um deslizamento de terra, atingiu em cheio a região próxima à fronteira com o Tibete, expondo a fragilidade da infraestrutura local diante de chuvas intensas nas encostas da cordilheira dos Himalaias.
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Entre os relatos angustiantes está o de Sonam Dorjee, um guia de Rasuwa que percebeu o perigo ao ouvir o estrondo das águas. “Parecia um terremoto”, disse ele à BBC. Naquele instante, sua casa desabou sob a força da enxurrada. Agora, Sonam vive angústia pela ausência de sua irmã, Dechen Tamang, considerada desaparecida desde então. Ele estima em apenas 10% as chances de encontrá-la com vida, mas mantém a esperança viva. Além de buscar a irmã, o guia gravita em torno de outros sobreviventes que pedem socorro imediato, reclamando a falta de mantimentos, abrigo provisório e atendimento médico.
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O Conselho de Turismo do Nepal divulgou que 579 pessoas estão desaparecidas, sendo 466 estrangeiros de 28 nacionalidades diferentes. Entre esses, destacam-se 133 indianos, 54 norte-americanos e 33 britânicos. As operações de busca esbarram na baixa visibilidade e no solo instável, atrapalhando o trabalho das equipes de resgate. Caminhos bloqueados por detritos e lama tornam o acesso a muitas vilas quase impossível, e helicópteros têm sido a única alternativa para alcançar pontos isolados.
No distrito de Nuwakot, a comerciante Kalpana Malla descreveu o momento em que a correnteza invadiu sua residência. “A água levou tudo que eu tinha”, relatou ela, lembrando que precisou subir ao telhado junto com o filho para escapar do desastre. Enquanto observava os pertences serem arrastados, Kalpana testemunhou dezenas de casas sendo soterradas pela lama. Agora, ela aguarda o envio de mantimentos e o estabelecimento de um abrigo temporário, pois perdeu completamente seus bens e encontra-se sem condições de retornar à rotina.
As equipes de resgate seguem atuando diuturnamente em pontos atingidos, utilizando máquinas pesadas e cães farejadores para localizar sobreviventes sob os escombros. Organizações humanitárias internacionais já começaram a enviar suprimentos, mas as entregas ainda não atendem à demanda crescente. Autoridades locais solicitam ao governo e a parceiros externos mais recursos para ampliar a busca e oferecer assistência às vítimas. Analistas meteorológicos alertam para o risco de novas chuvas nos próximos dias, o que pode agravar ainda mais a situação na região afetada.





