
Lavagem de dinheiro em leilões de cavalos da raça Quarto de Milha (Foto: Instagram)
Uma investigação da Polícia Civil da Paraíba revelou que uma organização criminosa teria lavado cerca de R$ 150 milhões em apenas dois anos. O grupo utilizava leilões de animais de raça, empresas de fachada e o agenciamento de cantores de forró para dar aparência legal a recursos provenientes do tráfico de drogas e do comércio ilegal de armas. Treze pessoas foram presas durante a operação, que levou ao bloqueio de até R$ 144 milhões de contas vinculadas aos suspeitos.
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O braço financeiro da facção Nova Okáida envolvia uma conta bancária que recebeu, em quatro meses, R$ 144 milhões. Os investigadores apontam que o modelo de negócio combinava leilões virtuais de cavalos da raça Quarto de Milha, uso de empresas de fachada e uma agência musical criada para intermediar contratos e cachês artísticos em prefeituras do Nordeste.
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Entre os principais alvos da operação estão Ivan Moura, conhecido como “Mauro Maromba”, e Yago Cavalcanti, ex-candidato a vereador em Campina Grande. A investigação aponta que ambos participaram de leilões nos quais animais eram arrematados por valores inflacionados para, em seguida, serem revendidos a preços de mercado, mascarando assim a origem criminosa do dinheiro.
Yago Cavalcanti chegou a montar um haras no Rio Grande do Norte, onde mantinha 15 cavalos. Quatro desses lotes, comprados em um evento virtual vinculado ao cantor Wesley Safadão, custaram aproximadamente R$ 1 milhão. Nas gravações dos leilões, Safadão agradecia aos compradores, mas a polícia esclareceu que o artista não é investigado e que os lances eram intermediados pela casa leiloeira, sem contato direto com os suspeitos.
Além dos negócios com cavalos, o grupo estruturou uma agência de forró que ofertava shows a prefeituras nordestinas. Em conversas interceptadas, um dos envolvidos afirmou que o sucesso financeiro só seria garantido ao incrustar-se no circuito de eventos municipais, usando contratos e cachês para justificar parte dos recursos movimentados.
O esquema incluiu o uso de uma empresa registrada em nome da esposa de Ivan Moura. Embora ela declarasse rendimento mensal de R$ 1.412, o negócio em seu nome movimentou R$ 144 milhões em quatro meses, servindo como fachada para receber e redistribuir valores do tráfico. As investigações também ligam o grupo ao comércio de cocaína, crack, skank e armas de uso restrito, além da exibição de bens de luxo, como carros importados, jet-skis e imóveis em condomínios fechados.
Treze pessoas foram detidas na operação. Ivan foi encontrado escondido em um compartimento de cama-baú, enquanto Yago foi capturado durante tentativa de fuga por uma estrada. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 144 milhões em ativos dos acusados, que poderão responder por organização criminosa, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro. As defesas afirmam que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo judicial.






