
Fissuras em rodovia colombiana após tremor de magnitude 6,8 (Foto: Instagram)
O tremor de magnitude 6,8 que atingiu a Colômbia na última segunda-feira (10) deixou mortos e feridos e tornou fundamental o trabalho de identificação das vítimas após o término das buscas por sobreviventes. Uma vez encerrada a fase de resgate, equipes de medicina legal e peritos forenses são acionados para retirar e reconhecer os corpos, garantindo a preservação das evidências e evitando erros que possam confundir famílias enlutadas.
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A coordenação das operações não considera a região como uma única “cena de crime”. Cada área ou setor dos escombros pode estar em fases distintas, de acordo com Caroline Daitx, médica especialista em Medicina Legal e Perícia Médica. Enquanto em pontos ainda há procura por sobreviventes, em outros já se mapeia a posição dos corpos, registra-se o estado de conservação e fotografam-se os vestígios antes de removê-los.
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Conhecida como “janela de ouro”, as primeiras 72 horas após o abalo concentram esforços na localização de pessoas vivas, mas o trabalho de perícia pode se estender de forma simultânea. Ao assumir uma área, os peritos coletam informações detalhadas sobre a cena, anotam objetos pessoais e a postura em que o corpo foi achado, promovendo um cadastro rigoroso para embasar a identificação.
Em desastres com restos mortais fragmentados ou em avançado estado de decomposição, o reconhecimento visual se torna inviável e entram em cena protocolos internacionais, como o DVI (Disaster Victim Identification), da INTERPOL. A perícia emprega técnicas de comparação de impressões digitais, exames odontológicos e análise de DNA para confirmar identidades, considerando ainda possíveis degradações do material genético.
Além dos exames forenses, a investigação baseia-se em dados fornecidos pelas próprias famílias. Prontuários médicos e odontológicos, radiografias, fotografias, registros de tatuagens, cicatrizes, cirurgias e próteses são cruzados com as informações colhidas no local. “É um grande cruzamento de dados: de um lado, tudo o que se sabe sobre a pessoa desaparecida; de outro, as pistas encontradas no corpo”, explica a especialista.
A identificação correta evita entregas equivocadas e garante a emissão da certidão de óbito, viabiliza rituais funerários e dá acesso a direitos de seguro, benefícios e herança. Para Caroline Daitx, devolver um corpo devidamente reconhecido é um gesto de respeito, dignidade e uma das maiores responsabilidades da perícia em situações de catástrofe.






