Uma nova tecnologia instalada em São Paulo e Porto Alegre promete ampliar a compreensão sobre como surgem os transtornos mentais. A plataforma MoBILab reúne dados da atividade cerebral, dos movimentos dos olhos e de respostas fisiológicas do corpo para investigar como crianças reagem a situações do cotidiano. A expectativa dos pesquisadores é que essas informações ajudem, no futuro, a identificar riscos mais cedo e a desenvolver intervenções personalizadas.
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O equipamento faz parte do projeto Conexão Mentes do Futuro, que acompanha há mais de 15 anos cerca de 2.500 jovens para investigar fatores genéticos e ambientais associados à saúde mental. A estrutura combina um capacete de eletroencefalografia, óculos que rastreiam o olhar e uma pulseira capaz de registrar sinais fisiológicos. Com esses recursos, os cientistas também podem observar aspectos como respiração, movimentos, fala, expressões faciais e desempenho em tarefas cognitivas.
Durante avaliações que duram aproximadamente uma hora e meia, os participantes realizam atividades como desenhar traçados com as duas mãos, completar sequências de letras e números, assistir a vídeos e reproduzir sons. A proposta também permite estudar reações a experiências comuns entre crianças e jovens, como assistir a conteúdos no YouTube ou interagir com aplicativos. Os dados ajudam a observar o funcionamento do cérebro e do corpo durante diferentes atividades, sem depender exclusivamente de relatos dos participantes ou de seus familiares.
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Um dos diferenciais do projeto é acompanhar diferentes gerações de uma mesma família: os participantes originais, seus pais e, agora, seus filhos. Ao cruzar o histórico clínico dos pais com os sinais biológicos das crianças, os pesquisadores esperam compreender melhor como fatores de risco e de proteção se manifestam ao longo da vida. A plataforma foi viabilizada por uma parceria com o Child Mind Institute, com investimento de R$ 1,5 milhão da FAPESP e da Stavros Niarchos Foundation. A tecnologia será integrada a uma iniciativa de pesquisa em saúde mental que recebeu investimento adicional de R$ 22,8 milhões.












