
Coral-de-fogo cultivado em berços 3D biodegradáveis na Biofábrica de Corais em Porto de Galinhas (PE). (Foto: Instagram)
A Biofábrica de Corais, desenvolvida em Pernambuco, utiliza impressão 3D para produzir estruturas biodegradáveis que auxiliam na restauração de recifes ao longo do litoral nordestino. O projeto atua em pontos como Porto de Galinhas, em Ipojuca (PE), Tamandaré (PE) e Maragogi (AL), combinando pesquisa científica, cultivo marinho e educação ambiental. Com foco no turismo regenerativo, visitantes e moradores participam diretamente das atividades, conectando a preservação dos corais às cadeias econômicas locais.
As peças impressas em 3D funcionam como berços para fragmentos de corais, oferecendo suporte e alimentação até que os organismos estejam prontos para o transplante em áreas degradadas. Feitas de material biodegradável, as estruturas permanecem nos viveiros marinhos até se integrarem ao ambiente, reduzindo impactos humanos e evitando o uso de elementos artificiais de longa duração.
Entre as espécies cultivadas está o coral-de-fogo (Millepora alcicornis), essencial para a biodiversidade ao servir de abrigo e fonte de alimento para peixes e crustáceos. A equipe mantém fragmentos nas chamadas mesas de cultivo instaladas no próprio habitat natural, monitorando o crescimento e a saúde dos organismos antes de reposicioná-los em trechos de recifes afetados por branqueamento e poluição.
No âmbito do turismo regenerativo, a iniciativa oferece experiências que duram cerca de três horas em uma plataforma flutuante, onde os visitantes aprendem sobre o funcionamento dos recifes e acompanham etapas do cultivo. Há ainda um programa de adoção de corais, no qual o apoiador contribui financeiramente e recebe relatórios detalhados do desenvolvimento das colônias, sem retirar nenhum animal do mar.
Para o cofundador Rudá Fernandes, integrar o setor turístico às ações de restauração amplia parcerias e fortalece o mercado de conservação marinha. “A participação de turistas e comunidade local é fundamental para gerar renda e reforçar a importância social e econômica dos recifes”, afirma Fernandes, destacando a potencialidade de replicar o modelo em outras regiões costeiras.
Além do cultivo, a Biofábrica mantém o EducaBio, programa de educação ambiental que já levou informações sobre conservação marinha a mais de 10 mil crianças. Em balanço divulgado em setembro, a iniciativa informou ter restaurado mais de 20 mil corais. No mesmo mês, a atividade recebeu reconhecimento da Unesco como parte da Década Internacional das Ciências para o Desenvolvimento Sustentável (2024-2033). Detalhes sobre as experiências, adoção e pesquisas estão disponíveis no site oficial da Biofábrica de Corais.






