Uma tecnologia criada para proteger contas bancárias e confirmar identidades virou alvo de criminosos. O chamado golpe da biometria utiliza fotos, vídeos e ferramentas de inteligência artificial para imitar rostos e tentar enganar sistemas de reconhecimento facial. O objetivo pode ser abrir contas falsas, movimentar dinheiro de origem ilegal ou até se passar por parentes e autoridades para aplicar golpes financeiros. Segundo dados da empresa Certiface, mais de 3,6 milhões de rostos foram registrados com restrições no Brasil por suspeitas de fraude. Entre maio e setembro de 2026, foram barrados, em média, três ataques por minuto contra instituições e empresas monitoradas.
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Entre as estratégias utilizadas está o chamado “golpe do sósia”, no qual criminosos procuram pessoas com aparência semelhante para tentar assumir suas identidades. Outra tática envolve o uso de inteligência artificial para criar imagens falsas a partir de fotografias publicadas nas redes sociais. Os fraudadores também podem abordar vítimas com falsas ofertas de emprego, sorteios ou promoções e pedir selfies segurando documentos, alegando que precisam confirmar informações. As imagens coletadas podem ser utilizadas posteriormente em cadastros e abertura de contas fraudulentas.
Um dos casos mais graves identificados envolveu uma quadrilha que teria criado identidades fictícias de idosos para desviar R$ 86 milhões do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), pago pelo INSS. Para conseguir validar os cadastros, os criminosos utilizavam pessoas reais como “dublês”, que emprestavam o rosto e as impressões digitais. Em outubro, o Ministério Público Federal denunciou 35 suspeitos de participação no esquema em Minas Gerais. Também há registros de criminosos que tentam convencer pessoas a fornecer a própria biometria sob a promessa de liberar prêmios ou confirmar dados.
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Especialistas recomendam manter perfis privados nas redes sociais, evitar publicar imagens muito detalhadas do rosto e nunca enviar selfies com documentos a desconhecidos. Também é importante conferir pedidos diretamente com empresas pelos canais oficiais, limitar o acesso de aplicativos à câmera e à galeria e proteger contas com senhas fortes e autenticação em duas etapas. Se alguém conhecido aparecer em uma chamada ou mensagem pedindo dinheiro com urgência, desligue e confirme a história por outro número. Uma palavra de segurança combinada entre familiares também pode ajudar a impedir fraudes com rostos e vozes clonados.












