
Estátua de Nossa Senhora Aparecida com o sol dourando o entorno arborizado (Foto: Instagram)
Nossa Senhora Aparecida voltou ao centro do debate público em 2026 por causa de uma suposta iniciativa evangélica para alterar seu status de padroeira do Brasil via projeto de lei. O dia 12 de outubro, consagrado à santa, permanece feriado nacional, mas levantou discussões sobre laicidade e a separação entre Igreja e Estado desde que foi instituído em 1980, durante a visita do papa João Paulo 2º.
A controvérsia tomou corpo nas redes sociais quando apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) associaram a proposta ao senador Flávio Bolsonaro (PL). O parlamentar negou qualquer vínculo com o movimento e classificou as informações como inverídicas. O caso foi levado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que barrou publicações que vinculassem Bolsonaro ao texto da lei.
A devoção a Nossa Senhora Aparecida teve início em 1717, quando três pescadores encontraram uma imagem de terracota da Imaculada Conceição no Rio Paraíba do Sul, com 36 centímetros de altura e pesando 2,5 quilos. O achado, logo considerado milagroso, motivou a edificação de uma capela em 1745. À medida que relatos de graças atribuídas à santa se multiplicavam, o entorno cresceu até se tornar a cidade de Aparecida.
Hoje, o Santuário Nacional de Aparecida é o maior destino de turismo religioso do país, recebendo cerca de 12 milhões de romeiros anualmente. No feriado de 12 de outubro, aproximadamente 200 mil pessoas visitam o local. Além de João Paulo 2º, o complexo já foi palco de missas celebradas por Bento 16 e por Francisco, que em 2013 demonstrou desejo de retornar para as comemorações dos 300 anos da descoberta da imagem.
Historiadores afirmam que muitos milagres contribuíram para a difusão da devoção. Entre eles, o relato de Zacarias, um escravo cujas correntes teriam se desprendido diante da imagem, simbolizando a libertação espiritual. A popularidade ganhou impulso a partir de 1895, com a chegada dos missionários redentoristas, e se consolidou com a construção da Rodovia Presidente Dutra, que facilitou o acesso entre Rio de Janeiro e São Paulo.
Embora haja menções de promessas feitas por Dom Pedro 1º à santa em 1822, foi somente em 16 de julho de 1930 que o papa Pio 11º a reconheceu oficialmente como padroeira do Brasil, por pedido do episcopado e do povo. O decreto pontifício suprimiu a precedência de São Pedro de Alcântara, que até então ocupava o posto, e confirmou o que já estava firmado na fé dos brasileiros.






