
Jeorgia Karolina e Maycon Milagre são condenados a 25 anos pela morte do filho de 2 anos (Foto: Instagram)
Uma sentença proferida no Fórum de Vila Velha, na Grande Vitória, determinou que Jeorgia Karolina Teixeira da Silva e Maycon Milagre da Cruz cumpram 25 anos de reclusão cada um pela morte do filho Jorge, de 2 anos. O tribunal, formado por júri popular, considerou o casal culpado de homicídio por omissão, agravado pela crueldade do meio empregado e pela vulnerabilidade da vítima. O julgamento, que durou três dias, absolveu ambos da acusação de estupro de vulnerável.
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Conforme a decisão judicial, a pena aplicada a cada réu corresponde a 25 anos, três meses e nove dias de prisão. A acusação inicial do Ministério Público do Espírito Santo incluía também o crime de estupro de vulnerável, mas essa imputação foi retirada devido às dúvidas sobre a origem das lesões sofridas por Jorge. O aumento da pena considerou a relação parental entre os acusados e a baixa idade da criança, fatores ressaltados pelo MPES como agravantes do delito.
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Na madrugada de 4 de julho de 2022, Jorge foi levado por sua mãe ao Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha. Jeorgia alegou que o menino apresentava sintomas de pneumonia, mas os exames clínicos revelaram diversas lesões suspeitas de maus-tratos. Poucas horas depois, Jorge não resistiu aos ferimentos e veio a óbito, o que motivou a Polícia Civil a instaurar inquérito para apurar as causas reais da morte.
No curso das investigações, o corpo de Jorge foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para necropsia. Jeorgia e Maycon tentaram impedir a transferência, buscando levar o filho diretamente a uma funerária, alegando que a autópsia não se fazia necessária. A atitude do casal, tida como incomum pela polícia, chamou atenção das autoridades. O laudo do IML apontou perfuração do reto e do ânus por trauma contuso anal, resultando em choque séptico e peritonite, descartando a pneumonia como causa primária do óbito. Embora esses indícios tenham fundamentado a denúncia inicial, no julgamento as provas relativas à violência sexual foram questionadas, o que levou o MPES a requerer a absolvição nesse ponto.
A defesa de Jeorgia foi conduzida pelo advogado Lucas Kaiser Costa, que afirmou ter como objetivo demonstrar a inocência da mãe, retratada como alguém que procurou socorro médico para o filho. Costa destacou a complexidade do processo, que se estendeu por cerca de quatro anos e envolveu oitiva de mais de 20 testemunhas. Até a conclusão desta reportagem, o advogado de Maycon Milagre da Cruz não havia se manifestado sobre o resultado do veredicto.






