Um garoto japonês de apenas 11 anos apresentou uma descoberta curiosa sobre a memória das borboletas. Jo Nagai, de Kobe, pesquisou exemplares da espécie Papilio xuthus e encontrou evidências de que elas podem manter, depois da metamorfose, uma associação aprendida ainda na fase de lagarta. O resultado ficou ainda mais intrigante quando a mesma tendência apareceu entre filhos e netos dos insetos.
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A pesquisa foi apresentada em 2026, durante o 73º Congresso Anual da Sociedade Ecológica do Japão. Nos testes, 70,9% das borboletas treinadas evitaram o cheiro de lavanda. Entre os descendentes que nunca haviam passado pelo treinamento, 64,8% dos filhos e 60% dos netos também evitaram o aroma. No grupo de controle, a taxa foi de 51%. Para realizar o experimento, as lagartas foram expostas ao cheiro de lavanda associado a um estímulo desagradável e, depois da metamorfose, as borboletas escolheram entre caminhos com e sem o aroma.
A história começou quando Jo tinha apenas 8 anos e enviou uma carta de quatro páginas à entomologista Martha Weiss, da Universidade Georgetown. O menino havia encontrado uma pesquisa mostrando que mariposas adultas poderiam preservar memórias formadas na fase de lagarta e queria descobrir se algo parecido acontecia com as borboletas que criava em casa. A troca de cartas acabou se transformando em uma colaboração científica que já dura anos. Em 2024, Jo apresentou seu trabalho no Congresso Internacional de Entomologia e conheceu Martha pessoalmente.
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Os resultados envolvendo diferentes gerações levantam a possibilidade de participação de mecanismos epigenéticos, nos quais fatores externos podem alterar a maneira como determinados genes funcionam sem modificar a sequência do DNA. Isso, porém, não significa que os netos tenham uma lembrança consciente do que os avós viveram. Os próprios pesquisadores ressaltam que o mecanismo ainda precisa ser investigado e que são necessários estudos independentes e publicação científica revisada antes de conclusões mais amplas.













