Lula chama entrevista da Globo de “inquisição” e vê anúncio do fim da fila do INSS como resposta

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Lula ajeita o chapéu durante discurso no Planalto (Foto: Instagram)

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, que sua decisão de anunciar o fim da fila de pedidos de benefícios junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) surgiu como resposta direta a questionamentos feitos durante entrevista à TV Globo na semana anterior. Lula classificou o encontro com o jornalista César Tralli como uma “inquisição” e explicou que, ao ser cobrado sobre o volume de requerimentos, comprometeu-se publicamente a eliminar o acúmulo de solicitações. “Aquela entrevista da Globo parecia uma inquisição, mas eu fui. Lá, o meu entrevistador, o (César) Tralli, disse que a Previdência tem três milhões [na fila do INSS]. Eu disse que tinha e que ele estava convidado a ir para Brasília que a gente iria anunciar o fim da fila”, ressaltou o presidente em discurso oficial.

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Nos bastidores da entrevista, Tralli mencionou que cerca de três milhões de pedidos aguardavam análise no INSS. Lula aceitou o dado e desafiou o repórter a acompanhar o anúncio em Brasília, reforçando que o governo trabalhava para reduzir o estoque de processos represados. A convocação serviu para que o presidente demonstrasse à opinião pública que as providências tomadas pelo Executivo se efetivariam rapidamente.

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Em evento realizado nesta quinta, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, detalhou cinco medidas adotadas para tornar possível a redução da fila do INSS: nomeação de novos servidores, implementação de teleatendimento para perícia médica, sistema de perícia médica documental, pagamento de bônus aos funcionários e realização de mutirões de fim de semana para análise de pedidos. Segundo ele, transformar a “fila” em fluxo de atendimento significa receber menos solicitações do que as avaliadas em um determinado mês. “Em agosto, conseguimos esse equilíbrio: o volume de processos analisados superou as novas demandas”, declarou Wolney, frisando que, ao assumir, herdou cerca de 1,7 milhão de pedidos represados.

Wolney Queiroz assumiu a pasta em maio de 2025, substituindo Carlos Lupi, que deixou o cargo em meio a investigações sobre desvios em aposentadorias. Antes, Wolney exercia a função de secretário-executivo da Previdência. O ministro destacou que recebeu de Lula a missão de “recuperar a credibilidade da Previdência e do INSS” e relatou que o monitoramento diário dos indicadores continuará para evitar novos acúmulos.

Durante o discurso no Palácio do Planalto, o presidente também defendeu o Benefício de Prestação Continuada (BPC) como política de assistência aos mais vulneráveis, contestando críticas que o apontam como causa de déficits no sistema previdenciário. “É sempre mais fácil culpar os mais humildes pelos problemas,” afirmou Lula, explicando que o BPC possui critérios claros: se o requerente preencher as condições, o benefício é concedido; caso contrário, recebe recusa fundamentada. Ele admitiu, porém, que existem fraudes e alertou para a atuação de “picaretas” em busca de vantagem indevida.