Justiça peruana decreta prisão preventiva de suspeito de recrutar combatentes para a Rússia

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Militares posicionam obus durante operação em fronteira russa (Foto: Instagram)

Um tribunal peruano determinou a prisão preventiva de Pocho Pinto, de 54 anos, suspeito de tráfico de pessoas e aliciamento de peruanos para atuar em uma base militar na Rússia. As investigações apontam que ele oferecia falsas oportunidades de emprego como pessoal de segurança, prometendo um salário mensal de US$ 2.300 e condições de trabalho seguras, atraindo vítimas com promessas jamais cumpridas.

O Ministério Público do Peru anunciou, em comunicado datado de sábado, que a medida cautelar vale por 14 meses, enquanto tramita o processo por exploração trabalhista. Pinto é apontado como mentor do esquema que envolvia captação, financiamento e transporte de cidadãos peruanos até solo russo para prestação de serviços militares, sob falsas alegações de contrato de trabalho regular.

Entre as vítimas estava Julio Salazar, que embarcou em março de 2026 com destino à Federação Russa e acabou morto no front de batalha em abril. Outros três peruanos teriam sobrevivido, mas retornaram ao país com relatos de condições precárias e montagem fraudulenta de documentação. Segundo a Promotoria, Pinto teria coordenado toda a logística internacional e arcado com os custos de transporte para garantir o envio dos aliciados.

Em resposta às acusações, a embaixada da Rússia no Peru reconheceu, em nota oficial, que existem peruanos que assinaram contratos para integrar as Forças Armadas russas. A representação diplomática, porém, sustenta que tais vínculos foram firmados de forma voluntária, respeitando a legislação local, e negou qualquer envolvimento com redes de recrutamento clandestinas ou forçadas.

Um relatório de setembro da Anistia Internacional denuncia que o governo russo teria atraído, por meio de fraude, milhares de candidatos de países de baixa renda, incluindo Brasil, Colômbia, Cuba, Sri Lanka e África do Sul. De acordo com o documento, as vítimas recebiam ofertas de emprego aparentemente legítimas, mas eram enviadas diretamente às linhas de combate, confrontando as condições originalmente prometidas.

Além do Peru, as autoridades bolivianas mantêm investigações sobre casos semelhantes, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia revelou ter registrado mais de 800 denúncias de cidadãos colombianos recrutados sob falsas promessas. Na Colômbia, a embaixada russa negou, em julho, qualquer ligação com essas redes após reportagem que coletou depoimentos e documentos de pessoas que afirmam ter sido enviadas ao front.

O caso expõe um esquema internacional de aliciamento por meio de fraude, investigado em diversos países da América Latina. A prisão preventiva de Pocho Pinto marca um avanço nas apurações, mas as autoridades alertam para a necessidade de combate contínuo a organizações transnacionais que exploram populações vulneráveis em busca de mão de obra militar.