Julgamento da morte de Maradona é novamente adiado após suspeitas em documentos médicos

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Diego Maradona em treino antes de sua morte, cujos laudos renais agora estão sob suspeita no tribunal argentino. (Foto: Instagram)

No dia 20 de agosto de 2026, o tribunal argentino responsável por apurar as circunstâncias da morte de Diego Maradona decidiu suspender o julgamento após questionamentos acerca dos documentos médicos apresentados pela acusação. Durante a sessão, surgiram dúvidas sobre a procedência e a validade de laudos renais que fundamentam boa parte da perícia, gerando polêmica sobre a idoneidade das provas. A suspensão, anunciada pela corte, visa resguardar a integridade do processo até que a origem dos exames seja esclarecida.

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A defesa dos sete profissionais de saúde acusados de homicídio com dolo eventual apontou inconsistências nos exames renais atribuídos a Maradona. De acordo com reportagem do jornal Clarín, alguns laudos exibem número de associado diferente daquele registrado nos prontuários do ex-craque. Isso levantou a hipótese de que parte dos resultados possa ter pertencido ao pai de Diego, o também chamado Diego “Chitoro” Maradona, falecido em 2015. Ao todo, são 19 exames sob suspeita que compõem o relatório da junta médica original.

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Em reação às suspeitas, o tribunal determinou a apreensão imediata dos laudos em duas instituições: a clínica Los Arcos e a sede da operadora Swiss Medical. O Ministério Público solicitou diligências nesses locais para verificar a autenticidade, a validade das datas de realização dos exames e a correspondência dos registros aos prontuários oficiais de Diego Maradona. O julgamento, que havia começado nesta quinta-feira, ficará suspenso até 27 de agosto, quando a corte deverá avaliar os novos elementos antes de retomar as audiências.

Apesar de o tribunal reconhecer que a possível troca de exames não anule, por si só, todo o trabalho realizado pela junta médica responsável pela perícia, os juízes consideram essencial comprovar se os documentos usados até então referem-se efetivamente ao ex-jogador. Sete profissionais de saúde, entre médicos e enfermeiros, respondem à acusação de homicídio com dolo eventual, sustentada na tese de que eles tinham ciência de que suas ações ou omissões poderiam contribuir para o óbito de Maradona.

Em 2021, um relatório médico independente concluiu que Maradona teria sido “abandonado à própria sorte” nos dias que antecederam sua morte. O ex-craque veio a óbito em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória enquanto se recuperava de uma cirurgia no cérebro. Considerado um dos maiores ídolos do futebol mundial, sua morte motivou intensos debates sobre negligência e a qualidade dos cuidados de saúde oferecidos às celebridades em tratamento domiciliar.

Este é o segundo julgamento relacionado ao caso: o primeiro, realizado em 2025, foi anulado depois que se descobriu a participação de uma das juízas em um documentário sobre Maradona sem autorização das partes. Agora, o tribunal argentino deve analisar minuciosamente a procedência dos exames questionados antes de prosseguir com as audiências. A próxima sessão está agendada para 27 de agosto, data em que a corte pretende deliberar sobre a validade dos documentos e definir os passos seguintes do processo.