O que muita gente chama de mania pode, na verdade, esconder um sofrimento que nem sempre é percebido por quem está ao redor. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) voltou ao centro das discussões depois que Jenna Ortega, conhecida mundialmente por interpretar Wandinha, revelou detalhes de sua convivência com a condição desde a infância.
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Em entrevista à revista Vogue, a atriz contou que, aos 7 anos, já seguia rituais específicos antes de ir à escola, como abrir os lençóis de determinada maneira, organizar gavetas e pentear os cabelos lentamente. Atualmente, entre os comportamentos que descreve estão repetir determinadas expressões, entrar nos sets de gravação com o pé esquerdo e contar até 71 enquanto prende a respiração.
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O relato chamou atenção por mostrar uma realidade pouco conhecida sobre o transtorno: nem sempre os sintomas estão relacionados à limpeza ou à organização. Em muitos casos, o TOC envolve pensamentos intrusivos, medo intenso, necessidade de repetição e rituais que podem comprometer a rotina.
OUTROS FAMOSOS
Jenna não é a única celebridade a falar abertamente sobre o assunto. O apresentador Howie Mandel, conhecido pelo programa America’s Got Talent, também já compartilhou suas dificuldades com o TOC.
Recentemente, ele voltou a discutir o impacto do transtorno ao lado do ator Rainn Wilson, conhecido por atuar em The Office. Wilson revelou que recebeu o diagnóstico aos 59 anos, depois de passar décadas convivendo com pensamentos repetitivos.
Outros nomes conhecidos, como Roberto Carlos, David Beckham, Leonardo DiCaprio e Megan Fox, também já compartilharam experiências relacionadas ao TOC, ampliando a discussão sobre uma condição que ainda é frequentemente banalizada.
CONFUSÕES COMUNS
Para a especialista em saúde mental Mariellen Freitas, é importante entender que o TOC não deve ser confundido com organização, perfeccionismo ou preferência por determinadas rotinas.
“Existe uma diferença muito importante entre gostar de organização e sentir que você precisa realizar determinada ação repetidamente para aliviar uma angústia ou impedir que algo ruim aconteça”, começou, antes de completar:
“No TOC, os pensamentos podem surgir de maneira involuntária, causar sofrimento intenso e levar a pessoa a desenvolver rituais que nem sempre fazem sentido para ela, mas que parecem impossíveis de interromper”, explicou.
AS MANIFESTAÇÕES
A especialista ressaltou ainda que nem todas as manifestações são visíveis. Algumas pessoas passam horas revisando mentalmente situações, repetindo palavras, buscando certezas ou tentando neutralizar pensamentos que provocam medo e ansiedade.
“Um dos maiores equívocos é acreditar que toda pessoa com TOC precisa lavar as mãos diversas vezes ou manter tudo perfeitamente organizado. Existem compulsões que acontecem dentro da própria mente e que podem ser tão desgastantes quanto os comportamentos físicos. Muitas vezes, quem convive com o paciente sequer percebe o sofrimento que ele está enfrentando”, destacou.
PODE COMEÇAR NA INFÂNCIA?
O relato de Jenna Ortega também chamou atenção para a possibilidade de os primeiros sinais aparecerem ainda na infância. Segundo Mariellen Freitas, comportamentos repetitivos precisam ser observados quando passam a provocar sofrimento, consumir muito tempo ou interferir nas atividades cotidianas.
“Quando uma criança sente uma angústia muito grande porque não conseguiu repetir uma ação da maneira que considera correta, ou quando precisa realizar determinados rituais para conseguir dormir ou sair de casa, é importante investigar. Não significa que todo hábito repetitivo seja um transtorno, mas os sinais persistentes merecem atenção profissional”, orientou.
TRATAMENTO
O tratamento pode incluir psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental com exposição e prevenção de resposta, além de medicamentos quando indicados por um médico.
Para a especialista, a exposição de celebridades também ajuda a combater estereótipos e a incentivar a busca por ajuda: “Quando uma pessoa conhecida compartilha uma experiência como essa, ela ajuda a mostrar que os transtornos mentais não têm uma aparência única”, observou.
E prosseguiu: “O TOC não é uma mania engraçada ou uma característica de personalidade. É uma condição que pode provocar sofrimento real, mas que tem tratamento. Informação de qualidade é fundamental para que as pessoas reconheçam os sinais sem se autodiagnosticar”, concluiu.
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