O australiano James Harrison ajudou a salvar milhões de bebês ao longo de 64 anos dedicados à doação de sangue. Conhecido por possuir um anticorpo raro, ele realizou 1.173 doações para a Australian Red Cross Lifeblood, contribuindo para a produção de aproximadamente 2,4 milhões de doses de um medicamento utilizado durante a gestação. Harrison morreu em 17 de fevereiro de 2025, enquanto dormia, em uma casa de repouso em Nova Gales do Sul, na Austrália.
A importância de suas doações estava relacionada à presença do anticorpo Anti-D em seu sangue. A substância é utilizada na fabricação de um medicamento capaz de prevenir a Doença Hemolítica do Feto e do Recém-Nascido, condição em que o sistema imunológico da mãe pode atacar as células sanguíneas do bebê durante a gravidez.
Antes do desenvolvimento desse tratamento, a doença afetava uma em cada 100 gestantes. O plasma de Harrison passou a ser utilizado na produção do medicamento, beneficiando milhões de famílias. Estima-se que suas doações tenham contribuído diretamente para o atendimento de aproximadamente 17% das gestantes australianas que necessitavam da medicação.
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Ao comentar o número de vidas beneficiadas por suas doações, Harrison reconheceu a dimensão de sua contribuição. “Salvar um bebê é bom. Salvar dois milhões é difícil de entender, mas se eles dizem que é isso, estou feliz por ter feito isso”, declarou.
A história do australiano com a doação de sangue começou muito antes da descoberta do anticorpo. Aos 14 anos, ele precisou receber transfusões após passar por uma cirurgia. A experiência foi determinante para que decidisse se tornar doador quando atingisse a idade adulta.
Durante sua trajetória como doador, os médicos identificaram a presença do Anti-D em seu sangue. A descoberta permitiu que seu plasma fosse utilizado na fabricação do medicamento, tornando suas contribuições especialmente importantes para a prevenção da doença.
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A dedicação também teve consequências dentro da própria família. Sua filha, Tracey Mellowship, precisou receber o tratamento produzido com o anticorpo e conseguiu ter dois filhos saudáveis. “Obrigada, pai, por me dar a chance de ter dois filhos saudáveis, seus netos”, afirmou Tracey.
Pela contribuição à medicina e pelos anos dedicados à doação, Harrison recebeu a Medalha da Ordem da Austrália. Apesar do reconhecimento, costumava brincar sobre o impacto de suas doações no número de nascimentos. “Culpe-me pelo aumento da população”, dizia.
Ao longo de mais de seis décadas, o australiano manteve seu compromisso com a doação e realizou 1.173 procedimentos. Sua contribuição possibilitou a produção de milhões de doses de Anti-D, utilizadas para prevenir complicações durante a gestação e proteger a saúde de bebês.














