Homem abandona vida urbana e há 20 anos vive isolado entre animais silvestres e mata nativa

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Há cerca de duas décadas, Lázaro deixou o estilo de vida urbano para morar isolado em uma área rural entre Fortaleza de Minas, São Sebastião do Paraíso e Pratápolis. Em dois sítios herdados da família, ele mantém uma rotina baseada na produção de alimentos, no trabalho manual e no contato com a natureza, dividindo o espaço com cachorros resgatados, macacos silvestres e até uma cascavel.

As propriedades ficam em uma região sem estrada asfaltada, supermercados próximos ou vizinhos por perto. No dia a dia, Lázaro utiliza fogão a lenha e água de córrego, além de produzir parte do que consome. “Você mora na roça, comprar comida é vergonha”, afirma ao explicar a forma como organiza sua rotina.

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A presença de animais silvestres também se tornou parte de seu cotidiano. Uma cascavel vive há anos nas proximidades do paiol e, segundo Lázaro, costuma aparecer no local em busca de ratos. Ele relata que o animal nunca apresentou comportamento agressivo e que já chegou a pisar acidentalmente na cobra sem ser atacado. “Gratuitamente ela não te pega não”, declarou.

Os macacos que frequentam a propriedade mantêm uma relação ainda mais antiga com o local. De acordo com Lázaro, uma família de primatas visita a área há pelo menos quatro gerações. Os animais se aproximam da casa, recebem frutas e doces naturais e reconhecem o morador como alguém seguro.

A preservação da vegetação também faz parte da maneira como ele administra os sítios. Lázaro afirma manter aproximadamente 60% da propriedade coberta por mata nativa, evita o desmatamento e utiliza somente madeira seca que caiu naturalmente. Árvores frutíferas também são mantidas para servir de alimento aos animais silvestres.

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Segundo o morador, a escolha de conservar a área não surgiu a partir do ativismo ambiental, mas da experiência adquirida ao longo dos anos de convivência com o ambiente em que vive. “Preservar é mais fácil do que recuperar”, defende.

A rotina adotada por Lázaro passou a repercutir nas redes sociais por mostrar uma vida distante da dinâmica urbana, sustentada pelo trabalho na propriedade, pela produção própria e pela convivência diária com a mata e os animais.