Governo fecha mina de ouro de Zamboye após desabamento que matou mais de 100

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Multidão na área da mina de ouro de Zamboye, na República Centro-Africana, após desabamento fatal (Foto: Instagram)

O governo da República Centro-Africana anunciou, neste sábado (22), o fechamento da mina de ouro de Zamboye, na região oeste do país, onde um desabamento ocorrido no início desta semana deixou mais de cem mortos. A decisão atende a uma determinação do executivo local, que busca apurar responsabilidades e reforçar a segurança nas atividades de extração mineral.

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O ministro de Minas e Geologia, Ruffin Benam Beltoungou, afirmou que a mina de Zamboye foi interditada em razão do “descumprimento das normas de mineração e das diretrizes administrativas” estabelecidas pelo governo. Ele acrescentou que a investigação sobre o incidente prossegue e que serão adotadas todas as medidas cabíveis para responsabilizar eventuais infratores.

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A região de Zamboye, situada a cerca de 200 quilômetros da capital Bangui, abriga diversos projetos de mineração artesanal de ouro, atividade que movimenta parte significativa da economia local. Pequenos garimpeiros, muitas vezes organizados em cooperativas informais, exploram veios arenosos em busca de altas cotações do metal precioso no mercado internacional.

Apesar de gerar renda e emprego para comunidades rurais, a exploração artesanal na República Centro-Africana convive com condições precárias de trabalho. A falta de infraestrutura adequada, incluindo túneis reforçados, sistemas de drenagem e equipamentos de proteção individual, torna os garimpos vulneráveis a desmoronamentos, episódios frequentes que já causaram dezenas de mortes nos últimos anos.

Segundo especialistas em mineração sustentável, as normas nacionais exigem licenciamento prévio, estudos de impacto ambiental e planos de segurança antes de qualquer atividade. Em Zamboye, no entanto, as checagens regulares das autoridades teriam sido negligenciadas e o cumprimento de exigências legais, como o uso de suportes metálicos e a marcação de áreas de risco, deixou de ser observado pelos responsáveis pela extração.

O fechamento da mina reflete o desafio enfrentado pelo governo na implementação efetiva de políticas públicas em regiões remotas, onde o controle territorial é limitado. A falta de pessoal treinado e de recursos para fiscalização torna difícil impedir que empreendimentos não autorizados continuem operando em áreas vulneráveis.

As autoridades afirmam que a interdição de Zamboye será mantida até que um relatório técnico conclua as causas do colapso e indique correções estruturais necessárias. Além disso, o ministério promete revisar processos de concessão, aplicar sanções aos responsáveis e fortalecer parcerias com organizações internacionais para promover uma mineração mais segura e sustentável no país.