Dólar registra discreto avanço diante do exterior antes de decisões do Fed e Copom

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Notas de dólar simbolizam leve alta contra o real (Foto: Instagram)

Após oscilações pela manhã, o dólar encerrou a tarde em leve alta frente ao real, acompanhando o comportamento da moeda americana no mercado externo. As cotações do petróleo reforçaram esse movimento, com o Brent se aproximando novamente dos US$ 110, ampliando as preocupações inflacionárias às vésperas das decisões do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom).

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O clima de tensão no Supremo Tribunal Federal (STF), durante sessão que avalia a abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes no caso do Banco Master, foi acompanhado atentamente pelos investidores, mas não definiu a formação da taxa de câmbio. “O mercado segue em compasso de espera, pois ainda há incertezas sobre o desfecho do julgamento do STF e seu possível impacto nas expectativas eleitorais”, afirma Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos.

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Depois de variar entre mínimas de R$ 5,1270 e máximas de R$ 5,1626, o dólar à vista fechou a terça-feira com alta de 0,14%, cotado a R$ 5,1551. Nos dois primeiros pregões da semana, a moeda americana soma valorização de 0,58%, enquanto no mês acumula queda de 0,48%, invertendo parte dos ganhos de 2,16% registrados em agosto. No acumulado de 2026, o real acumula desvalorização de 6,08%.

A sessão plenária do STF foi marcada por atritos entre ministros. Gilmar Mendes acusou André Mendonça de motivação política ao retirar o sigilo de relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas por Moraes e Daniel Vorcaro. Mendonça rebateu, classificando a crítica como leviana. Dias Toffoli e Nunes Marques se declararam impedidos de avaliar o caso.

Rostagno observa que o desgaste dentro do STF pode ter beneficiado a candidatura de Flávio Bolsonaro, contribuindo para a recuperação do real em setembro após a queda de agosto. “A percepção de que a oposição adotaria um ajuste fiscal mais intenso também fortaleceu a moeda brasileira, mesmo diante do avanço do petróleo, que traz pressões inflacionárias.”

O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,26% por volta das 17h, aos 99,637 pontos, após atingir máxima de 99,687. Na semana, o Dollar Index soma alta de 0,55%, sustentado pela alta de quase 20% do Brent no mês.

As expectativas para a sessão de “superquarta”—com alta de 0,25 ponto porcentual nos juros pelo Fed e corte de 0,25 ponto na Selic pelo Copom—sugerem menor diferencial de taxas, o que tende a reduzir o apetite pelo carry trade e pressionar o real. Em relatório, Mauricio Une, economista-chefe do Rabobank para a América do Sul, projeta que o dólar terminará 2026 em R$ 5,35.

Na manhã desta terça, o Banco Central promoveu um “casadão” ao vender US$ 1 bilhão no mercado à vista e comprar US$ 1 bilhão em dólar futuro, via oferta de 20 mil contratos de swap cambial reverso. Segundo operadores, essa estratégia busca aliviar a pressão no câmbio à vista, admitindo que o desafio está na taxa spot, e não no mercado futuro.