
Notas de dólar em destaque refletem a queda da moeda após o primeiro turno (Foto: Instagram)
O dólar à vista ensaiou queda forte nesta segunda-feira (05) e fechou no limiar de R$5,00, com recuo superior a 4%, depois de ter chegado a R$4,95 no ápice da euforia pelo resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. Apesar de outras moedas latino-americanas terem valorizado — com destaques para ganhos de quase 2% do peso colombiano e do peso chileno —, o real apresentou, de longe, o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas, refletindo o otimismo dos investidores.
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A surpresa ficou por conta da liderança de Flávio no primeiro turno, terminando com cerca de 2,2 milhões de votos a mais que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Congresso Nacional, o campo de direita avançou significativamente, sobretudo no Senado, e candidatos conservadores em estados-chave, como a reeleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo, reforçaram a perspectiva de um ambiente político mais alinhado ao mercado.
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Para Cristiano Oliveira, diretor de Pesquisa Econômica do banco Pine, o rali dos ativos domésticos espelha a maior probabilidade de adoção de uma agenda econômica liberal a partir de 2027, caso Flávio confirme a vitória no segundo turno. “O mercado já começa a antecipar essa nova agenda. Dada a solidez das contas externas brasileiras, o real poderia até se apreciar mais, não fosse o patamar elevado dos yields dos Treasuries de longo prazo”, avalia.
Depois de oscilar em torno de R$4,99 ao longo da tarde, o dólar à vista encerrou a sessão cotado a R$5,0018, queda de 4,12% – menor fechamento desde 21 de maio. No acumulado de 2026, a moeda americana registra desvalorização de 8,88% frente ao real, ficando atrás apenas do peso colombiano entre as principais divisas emergentes.
Segundo Oliveira, há espaço para nova queda do dólar caso Flávio confirme o favoritismo adquirido e escolha para a equipe econômica profissionais comprometidos com reformas estruturais de médio e longo prazo. “Com uma agenda pro-mercado, é possível reduzir ainda mais o prêmio de risco macroeconômico e atrair mais recursos externos para o Brasil”, afirma o economista.
William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, destaca que a reação do real e das ações foi intensa após o primeiro turno e já capturou grande parte dos ganhos esperados. Ainda assim, ele avalia que “há espaço para o rali continuar se Flávio detalhar seus planos econômicos com maior profundidade”.
No cenário internacional, o índice DXY, que mede o dólar frente a seis moedas fortes, subia 0,21% por volta das 17h, aos 102,146 pontos, após atingir 102,535. O euro caiu à sua mínima de 16 meses diante de preocupações com a política fiscal na França, enquanto as taxas de juros dos Treasuries de longo prazo subiram de forma moderada. Brendan McKenna, estrategista de mercados emergentes do Société Générale, afirma que usará a data do segundo turno como guia para manter posições vendidas em dólar e euro contra o real, mas alerta que fatores externos — como endurecimento do Federal Reserve ou tensões geopolíticas — podem reverter parte dos ganhos das moedas latino-americanas antes do previsto.






