
Desembargador Newton Pereira Ramos Neto e a advogada Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos (Foto: Instagram)
O desembargador Newton Pereira Ramos Neto, do TRF-1, votou a favor do Banco Master em dois julgamentos virtuais envolvendo a Usina Cansanção de Sinimbu, em Jequiá da Praia (AL), realizados em janeiro e junho de 2024. Nessas sessões, a 11ª Turma acolheu recursos da usina que discute a indenização devida pela União, beneficiando o banco que atua junto à empresa.
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Seis meses após esses votos, a advogada Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos, esposa de Newton, e o filho do magistrado, Gabriel Ribeiro Gonçalves Ramos, firmaram um contrato com o banco de Daniel Vorcaro que pode gerar até R$ 427 milhões em honorários, caso obtenham êxito nas ações que somam R$ 8,5 bilhões.
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No agravo de instrumento julgado de 22 a 26 de janeiro, a Turma votou por unanimidade para limitar a perícia ao escopo original, recusando a União que pleiteava nova análise com documentação adicional. Já na sessão de 3 a 7 de junho, também por unanimidade, foram rejeitados os recursos da União, mantendo as mesmas restrições ao cálculo do valor indenizatório em favor da usina e, indiretamente, do Master.
O advogado Alex Ferreira Borralho apresentou reclamação disciplinar ao CNJ na terça-feira (22), pedindo abertura de apuração sobre a conduta de Newton. Na petição, sustenta-se possível comprometimento funcional do desembargador em benefício de interesses privados de Vorcaro e de sua esposa, com indícios de redes econômico-financeiras que envolvem o Master.
O TRF-1, maior tribunal regional federal do País, determinou em junho de 2022 a suspensão dos pagamentos de precatórios ligados a ações de usinas em recuperação judicial, após suspeitas de irregularidades. Posteriormente, o banco Master adquiriu parte desses créditos por meio de fundos de investimento associados à Reag e ao próprio Master, mas Newton Ramos não participou dos processos referentes aos precatórios.
Newton mantém relação de longa data com o ministro do STF Nunes Marques, tendo atuado como juiz auxiliar quando este era vice-presidente do TRF-1 (2018–2020). Em abril, o Estadão revelou que o desembargador e a mulher viajaram com o ministro e sua esposa a Maceió, e um mês depois concedeu liminar favorável a causa defendida por Kevin Marques, filho de Nunes Marques, envolvido em pagamentos do Master.
Em nota, o desembargador Newton Ramos esclarece que o Agravo de Instrumento nº 1026345-83.2021.4.01.0000 foi julgado em bloco, em sessão virtual que analisou cerca de 300 processos. Afirma que não havia nos autos, na época do julgamento, qualquer entrada do Banco Master, registrada apenas depois e com impedimento legal devidamente anotado.






