
Notas de reais ilustram o déficit de US$ 5,055 bilhões na conta corrente em agosto (Foto: Instagram)
O Brasil registrou um déficit de US$ 5,055 bilhões na conta corrente em agosto, anunciou o Banco Central nesta segunda-feira (28). Esse indicador monitora o equilíbrio entre receitas e despesas da economia brasileira com o resto do mundo ao considerar comércio de bens e serviços, rendas e transferências.
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Esse resultado sucede um rombo de US$ 9,374 bilhões em julho – revisado de US$ 8,110 bilhões – e superou a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que havia estimado déficit de US$ 4,900 bilhões. As projeções negativas variavam de US$ 4,0 bilhões a US$ 9,20 bilhões, demonstrando divergência entre analistas sobre a trajetória do indicador.
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O déficit apurado em agosto também foi maior do que o registrado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 3,776 bilhões. Comparações anuais como essa são usadas pelos economistas para avaliar tendências e volatilidade nas contas externas.
No acumulado de 2026, o saldo negativo da conta corrente chega a US$ 43,512 bilhões. Em 12 meses, o rombo variou de 2,44% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho para 2,47% em agosto, configurando o maior percentual para o mês desde março, quando o déficit equivalia a 2,61% do PIB. Especialistas acompanham essa relação entre déficit e PIB para mensurar riscos à estabilidade macroeconômica.
Segundo a metodologia do Banco Central, a balança comercial registrou superávit de US$ 6,622 bilhões em agosto, indicativo de vantagem nas exportações de bens. Por outro lado, a conta de serviços mostrou déficit de US$ 5,251 bilhões, refletindo gastos superiores com transportes, viagens e outros serviços. A conta de renda primária ficou negativa em US$ 6,954 bilhões, fruto de pagamentos de juros e dividendos ao exterior, e a conta financeira apresentou rombo de US$ 6,055 bilhões, resultado de fluxos de investimento e empréstimos internacionais.
No Relatório de Política Monetária (RPM) do terceiro trimestre, o BC projeta para 2026 um déficit de US$ 60 bilhões em transações correntes, correspondente a 2,3% do PIB. A estimativa inclui um superávit comercial de US$ 75 bilhões, déficit de US$ 56 bilhões em serviços e déficit de US$ 85 bilhões na renda primária. Essas projeções servem de base para o Conselho de Política Monetária (Copom) ao avaliar cenários e calibrar decisões de juros.
A evolução desses resultados é observada com atenção pelos investidores e pelas autoridades, pois reflete a necessidade de financiamento externo e indica a exposição do país a choques internacionais. Um déficit elevado pode pressionar a taxa de câmbio e afetar as reservas internacionais.






