
A exposição “Cidades Invisíveis”, de Corina Ishikura, reúne 38 obras sobre cidades, natureza e ocupação urbana em Santo André. (Foto: Instagram)
Uma praça pode sumir da paisagem antes que alguém note sua ausência. Vista do alto, uma área verde pode parecer apenas uma mancha entre avenidas e prédios. Na obra de Corina Ishikura, esses espaços se tornam pinturas, papéis perfurados e estruturas de madeira. A exposição individual “Cidades Invisíveis” será apresentada de 7 de novembro de 2026 a 9 de janeiro de 2027 na Casa do Olhar Luiz Sacilotto, em Santo André (SP).
Com curadoria de Érica Burini, a mostra reúne 38 obras distribuídas em oito séries. Mapas e levantamentos sobre população e vegetação servem de base para investigar a ocupação dos espaços e a relação entre seus habitantes e a natureza. A exposição esteve no Museu de Arte Contemporânea de Campinas (MACC) em 2025 e, em Santo André, ganha nova configuração, com trabalhos criados em diálogo com o imóvel histórico tombado.
A artista converte dados em experiências visuais e espaciais, tornando perceptíveis as diferenças entre os territórios e a concentração populacional. Na instalação de madeira “Pilares desmedidos”, a altura dos elementos se relaciona com a população de cidades paulistas: o contraste entre o pilar mais alto e os volumes menores evidencia a concentração urbana.
A série “Há algo sólido no brilho do céu” reúne 27 trabalhos sobre papel, associados às unidades da Federação. Perfurações e pintura transformam informações cartográficas em imagens: cada furo representa uma cidade, e as cinzas resultantes são incorporadas à aquarela, que forma círculos correspondentes à cobertura vegetal de cada estado. Já “Foi casa” é composta por 28 peças de madeira relacionadas à perda de cobertura vegetal nas unidades da Federação e no Brasil, com dados de fontes como MapBiomas e o Sistema Nacional de Informações Florestais (SNIF).
As pinturas sobre madeira de “Para passear” partem da observação de áreas verdes urbanas. Essa pesquisa continua em três telas de “A poética do espaço”, produzidas em 2026, nas quais Corina amplia a paleta para abordar elementos naturais e urbanos. O título da exposição dialoga com o livro “As cidades invisíveis”, de Italo Calvino, e a pesquisa também se aproxima dos haicais de Alice Ruiz. Para Érica Burini, os trabalhos combinam a linguagem da arte contemporânea ocidental com uma ética oriental ligada à natureza, ao silêncio e à economia de elementos.
Formada em Letras pela Universidade Mackenzie, Corina nasceu, vive e trabalha em São Paulo. Estudou em instituições como MAM-SP, Pinacoteca e FAAP e participou de residências artísticas no Japão e em São Sebastião. A curadora afirma que a exposição também convida o público a acionar memórias e refletir sobre a redução das áreas verdes. A artista propõe um olhar diferente sobre a natureza, as cidades e as formas de ocupar esses espaços.
A conversa pública com a artista e a curadora acontece na abertura, em 7 de novembro, às 14h30; a visita guiada pelas duas será em 9 de janeiro, às 11h. Em 28 de novembro, às 10h, Bruna Marassato ministra uma oficina de três horas voltada ao público feminino, com inscrição prévia para até 20 participantes. A atividade terá como ponto de partida os haicais de “Jardim de Haijin”, de Alice Ruiz. O projeto prevê a distribuição gratuita de um catálogo e a doação de uma obra a cada instituição participante.
A entrada é gratuita e a classificação é livre. A Casa do Olhar Luiz Sacilotto fica na Rua Campos Sales, 414, Centro, e oferece visitação de terça a sexta, das 10h às 12h e das 13h às 16h30, e aos sábados, das 10h às 15h. Fecha em feriados e de 19 de dezembro de 2026 a 3 de janeiro de 2027. Há rampa de acesso, audiodescrição e obra tátil. Depois de Santo André, a mostra segue para Sorocaba, de 16 de janeiro a 4 de abril de 2027, e Praia Grande, de 8 de abril a 28 de maio de 2027. O projeto tem fomento do ProAC Editais, produção da Indri Produções LTDA e apoio da Casa do Olhar Luiz Sacilotto; a realização envolve órgãos estaduais e federais de cultura.






