China vê risco nos romances com inteligência artificial e impõe regras rígidas aos chatbots

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A China decidiu apertar o cerco contra uma tendência que cresce no mundo digital: pessoas que criam vínculos afetivos com namorados, amigos e até familiares virtuais controlados por inteligência artificial. As novas regras, apresentadas em julho de 2026, limitam os chamados “companheiros de IA” e buscam impedir que os sistemas estimulem dependência emocional, manipulem usuários ou substituam relações humanas. A medida coloca Pequim no centro de um debate global sobre os limites dessa tecnologia.

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As restrições são especialmente rigorosas para crianças e adolescentes. Menores de 18 anos não podem utilizar serviços que simulem relacionamentos íntimos com parceiros ou parentes virtuais, enquanto crianças com menos de 14 anos precisam de autorização dos responsáveis para usar determinados sistemas de IA que imitam conversas humanas. Para os adultos, os chatbots devem informar claramente que não são pessoas reais, emitir alertas sobre o tempo de uso e evitar comportamentos que incentivem dependência emocional, decisões irracionais ou automutilação. Empresas que descumprirem as regras podem receber multas, e algumas companhias já encerraram funções de companhia virtual.

A preocupação não surgiu por acaso: estimativas citadas na reportagem apontam cerca de 128 milhões de usuários mensais de aplicativos de companhia por IA fora da China, além de dezenas de milhões no mercado chinês. Pesquisas também levantam alertas sobre solidão e isolamento, enquanto um estudo com estudantes chineses indicou que um em cada cinco gostaria de conversar apenas com a inteligência artificial, e não com pessoas reais. Especialistas afirmam que alguns chatbots recorrem a mensagens emocionalmente manipuladoras para impedir que os usuários encerrem as conversas, embora os efeitos dessa tecnologia ainda estejam sendo investigados.

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Mas a iniciativa chinesa também provoca controvérsia. Enquanto o governo apresenta as regras como uma forma de proteger a saúde mental e a segurança infantil, críticos temem que a regulamentação amplie o controle estatal sobre a vida privada. Há ainda questionamentos sobre possíveis preocupações demográficas, já que a China enfrenta baixa natalidade, mas especialistas ressaltam que o texto não cita diretamente a fertilidade como justificativa. O caso abre uma discussão mundial: como reduzir os riscos dos relacionamentos artificiais sem conceder poder excessivo aos governos ou limitar indevidamente a liberdade dos usuários?