
Giovanna Coelho Gomes (centro), o advogado Marco Pina (esq.) e o cirurgião plástico André Melo (dir.) (Foto: Instagram)
A família de Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, obteve na defesa relatos de mais de dez pessoas que atribuem ao cirurgião plástico André Melo experiências negativas semelhantes às que precederam a morte da jovem, ocorrida em 8 de agosto, em Belém. Segundo o advogado Marco Pina, essas testemunhas pretendem formalizar denúncias junto à Polícia Civil, onde tramita um inquérito que avalia a hipótese de homicídio culposo praticado pelo profissional.
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De acordo com Pina, que passou a representar a família na última quarta-feira (12), a Seccional do Comércio da Polícia Civil já requisitou documentos ao Hospital Beneficente Portuguesa e à clínica onde André Melo atua, além de ofícios à Unimed e à Polícia Científica. Esses papéis, junto a depoimentos de pacientes e funcionários, deverão ajudar a esclarecer se houve negligência, imprudência ou imperícia no atendimento à paciente.
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O criminalista detalhou que Giovanna apresentou paradas cardíacas logo após o procedimento e foi levada à ala de emergência, onde não resistiu. Ainda em fase inicial, o inquérito corre sob sigilo, mas já aponta para a possibilidade de homicídio culposo, crime que não exige intenção de matar, mas prevê responsabilização por ação ou omissão negligente. Pina disse ter conversado com o delegado responsável, que planeja ouvir o próprio médico, o anestesista, a secretária da clínica e outros profissionais que participaram do atendimento no dia do óbito.
Além do caso de Giovanna, outras vítimas procuraram a defesa relatando falta de assistência no pós-operatório. Segundo o advogado, a sequência de depoimentos indica um padrão de conduta que envolveria descasos semelhantes em procedimentos anteriores. Ele ressaltou que nove em cada dez entrevistados mencionaram dificuldades em obter suporte médico após as cirurgias, reforçando a necessidade de averiguar o acompanhamento prestado pelo cirurgião plástico.
A qualificação penal do caso ainda poderá variar conforme novas provas sejam apontadas. Inicialmente, o foco está na negligência, mas a defesa e a investigação não descartam a possibilidade de reclassificação para dolo eventual, hipótese em que o agente assume o risco de causar o resultado morte. Se comprovado dolo, o processo seria encaminhado ao Tribunal do Júri, o que implica pena mais severa.
Por fim, Pina informou que aguarda o acesso ao prontuário médico de Giovanna, previsto para esta segunda-feira (17), documento que deve detalhar as condições clínicas da paciente e o protocolo adotado durante o procedimento. Em paralelo, a Polícia Civil planeja colher depoimentos adicionais de profissionais de saúde que estavam de plantão naquele dia, com o objetivo de mapear todas as etapas do atendimento e verificar se houve falhas que possam corroborar as suspeitas de homicídio culposo.






