Atleta vence câncer e correrá maratona com o médico que o tratou

Posted by

John B. Johnson tinha 35 anos quando recebeu o diagnóstico de câncer de cólon, apenas duas semanas depois de disputar a Maratona de Cleveland, em maio de 2023. Na época, ele havia acabado de alcançar o tempo necessário para se classificar para a Maratona de Boston, mas precisou interromper os planos para enfrentar o tratamento. Dois anos depois, sem sinais da doença, ele se prepara para disputar a prova ao lado do médico que participou de sua recuperação, o cirurgião colorretal David Rosen, da Cleveland Clinic.

Antes do diagnóstico, Johnson já havia percebido sangue nas fezes por cerca de um mês. Ele procurou um clínico-geral e recebeu a recomendação para realizar uma colonoscopia. Como estava treinando para a maratona e a suspeita inicial era de que o sangramento pudesse estar relacionado a hemorroidas, o exame acabou sendo marcado apenas depois da competição.

Johnson completou a prova em pouco mais de três horas e conseguiu, pela primeira vez, o tempo para se classificar para Boston. Duas semanas depois, durante a colonoscopia, os médicos encontraram uma massa que provavelmente era um câncer.

++ Profissão inacreditável de Terry Crews antes da fama surpreende fãs até hoje

O diagnóstico surpreendeu Johnson, que se considerava em sua melhor forma física. Naquele momento, sua principal preocupação era a família. Ele era casado com Sarah Johnson e tinha uma filha de 1 ano, Vivian Grace. Duas semanas após o diagnóstico, o casal descobriu que estava esperando outro filho, Theodore, que atualmente tem 1 ano.

Os exames realizados depois da descoberta indicaram que o câncer estava no estágio 2 e ainda não havia se espalhado. O tratamento incluiu cinco semanas de radioterapia, com cinco sessões por semana, seguidas por quatro meses de quimioterapia. A última sessão ocorreu em 3 de janeiro de 2024. Cinco dias depois, Johnson fez uma ressonância magnética que não identificou mais sinais do câncer.

Durante o tratamento, ele também passou a ser acompanhado por David Rosen, cirurgião colorretal da Cleveland Clinic. A relação entre os dois ultrapassou o ambiente médico e, depois da recuperação, eles decidiram estabelecer um novo objetivo em comum: correr a Maratona de Boston.  “Tenho visto John em alguns de seus momentos mais vulneráveis e dolorosos, e agora vê-lo tão forte e trabalhando para alcançar um objetivo que ele tem há muito tempo é incrível. É inspirador. É um lembrete constante de por que nós, na medicina, fazemos o que fazemos por pacientes como John, e é algo realmente gratificante”, afirmou Rosen.

Para Johnson, participar da prova representa a retomada de um plano interrompido pelo câncer. “Eu queria fechar o ciclo dessa jornada. Como não pude correr Boston depois do meu diagnóstico, queria tentar novamente. Essa foi uma maneira de ser melhor do que era antes do câncer e simplesmente celebrar a vida”, contou.

++ Moradores de SP trocam carros por bicicletas para fugir do trânsito, mas também enfrentam congestionamento nas ciclovias

O atleta também passou a falar publicamente sobre o diagnóstico para chamar atenção aos sinais do câncer colorretal entre pessoas mais jovens. Segundo ele, depois de compartilhar sua experiência, amigos começaram a comentar que também haviam percebido sangue nas fezes e que procurariam um médico: “Uma das razões pelas quais conto minha história é porque pessoas de 35 anos não falam sobre câncer de cólon. Elas não falam sobre colonoscopias. Elas não falam sobre sangue nas fezes”.

A experiência também mudou a forma como Johnson encara situações difíceis. “De muitas maneiras, me sinto mais forte. Sinto-me mais forte como pessoa. Estou mais forte emocionalmente. Estou mais forte espiritualmente. Estou mais forte em todos os sentidos”, disse.

Agora, ele e Rosen mantêm contato diariamente durante a preparação para a corrida. Além de treinarem juntos, os dois estão arrecadando recursos para a DetecTogether, organização que promove a detecção precoce do câncer de cólon.

Rosen reforça que sintomas como sangramento e alterações nos hábitos intestinais não devem ser ignorados. “Você pega alguém como John, que é completamente saudável e jovem, e se sente invencível, como se algo como o câncer nunca pudesse atingir você. Mas atingiu, e então você nunca deve ignorar nenhum sintoma se eles aparecerem. E, se aparecerem, certifique-se de consultar um médico e fazer uma colonoscopia”, afirmou.