
Lula critica banqueiros da Faria Lima e ruralistas e defende igualdade de gênero (Foto: Instagram)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou com veemência o grupo financeiro da Faria Lima e os ruralistas, afirmando que "nenhum banqueiro da Faria Lima ou ruralista sabe o que é enchente" e despreza o desconforto de acordar com "rato tentando nadar em casa". Durante o discurso, Lula destacou a distância que existe entre esses setores econômicos e as dificuldades enfrentadas pelas famílias de baixa renda, reforçando que quem estabelece a taxa de juros e apoia o ajuste fiscal não tem ideia real de "como vive o povo".
++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas
Segundo o presidente, somente quem passa por situações extremas, como alagamentos domésticos, compreende quais são as verdadeiras prioridades sociais. "É preciso passar por isso para saber o que é prioridade e cuidar do povo mais necessitado desse País. As pessoas conhecem por literatura, mas não viveram isso", declarou Lula. O pronunciamento ocorreu na manhã de sábado (08), em evento com apoiadores vestidos de vermelho, portando bandeiras de partidos de esquerda e de movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina
Em determinado momento, Lula se emocionou e teve a voz embargada ao recordar dificuldades enfrentadas em sua trajetória pessoal, ressaltando a importância de quem encara adversidades para governar com empatia. Ele salientou que, até o início de seu primeiro mandato, em 2003, nenhum presidente do Brasil havia demonstrado sensibilidade ou direcionado políticas públicas de forma consistente para as camadas mais pobres da população.
O presidente também abordou o papel dos homens nas tarefas domésticas e na busca pela igualdade de gênero, defendendo que eles devem compartilhar as responsabilidades do lar. "O homem precisa aprender a trabalhar na cozinha para ajudar a mulher. A mulher já aprendeu o caminho do mercado de trabalho, porque ninguém gosta de ficar em casa limpando o chão", enfatizou Lula, ao defender que dividir atividades domésticas contribui para fortalecer a autonomia feminina.
A pauta dos direitos da mulher também recebeu destaque no discurso. Lula afirmou que "a luta pela sobrevivência, pelo respeito e pela dignidade da mulher não é só da mulher, é do homem, porque o agressor é o homem", reforçando a necessidade de responsabilizar o sexo masculino no enfrentamento à violência contra a mulher. Segundo o presidente, essa postura é fundamental para alterar padrões culturais que perpetuam a agressão e o desrespeito ao gênero feminino.
Por fim, o presidente enfatizou que os movimentos sociais têm papel determinante ao orientar os homens a usarem suas mãos para gestos de carinho e cuidado, seja com a parceira ou com os filhos, e não para perpetuar a violência. Lula concluiu afirmando que a construção de uma sociedade mais igualitária depende da união entre homens e mulheres no combate às desigualdades e ao machismo estrutural.






