
Manifestantes protestam contra a construção de um centro de dados da Microsoft em Amsterdã (Foto: Instagram)
Manifestantes invadiram nesta sexta-feira, 6, o canteiro de obras de um data center da Microsoft em Amsterdã. A ação marcou o início de dois dias de protestos que refletem a crescente reação global à rápida expansão da capacidade computacional necessária para a inteligência artificial.
A coalizão “Stop Dirty Data Centres”, que reúne grupos ambientalistas e campanhas pelos direitos digitais, informou que ativistas organizaram ações em 16 países nesta sexta-feira e no sábado. O movimento pede a suspensão de grandes construções. Em Amsterdã, mais de 100 pessoas marcharam de braços dados antes de entrar no local, subir em guindastes, pendurar balões e dançar, enquanto a polícia observava. Alguns manifestantes exibiam cartazes com frases como “Dane-se seu data center”.
A Pure Data Centres, proprietária do terreno, planeja investir mais de US$ 1 bilhão no projeto e conta com o apoio da Oaktree, de propriedade da Brookfield. A empresa declarou que está aberta ao diálogo com a comunidade local e pediu aos manifestantes que deixassem o local em segurança para conversar sobre o projeto e suas preocupações. A Microsoft afirmou compreender que as pessoas tenham opiniões fortes e respeitar o direito de se manifestar pacificamente, mas disse não tolerar ações ilegais.
Outras mobilizações previstas incluem uma marcha em Dublin, um protesto diante do Parlamento em Varsóvia, na Polônia, e uma manifestação contra outro data center da Microsoft na Dinamarca. A oposição à expansão também cresce da Espanha à Índia e nos Estados Unidos. Na sexta-feira, ações de tecnologia contribuíram para o segundo dia seguido de fortes perdas no mercado acionário norte-americano, em meio à preocupação de que o controle democrata do Congresso possa levar a regras mais rígidas para a expansão da IA.
Ativistas alegam que os data centers pressionam o fornecimento de eletricidade e água, disputam recursos escassos com o setor imobiliário e outras empresas e colocam em risco metas climáticas. Também apontam possíveis perdas de empregos e ameaças à segurança pessoal e nacional, relacionadas à concentração de poder nas mãos de empresas privadas e gigantes da tecnologia. As companhias do setor, por sua vez, defendem que essas instalações são fundamentais para atender à demanda por IA e computação em nuvem e fornecer infraestrutura a empresas, governos e consumidores.
A campanha “Stop Dirty Data Centres” afirma não se opor ao progresso nem defender o fechamento de instalações existentes. Seu pedido é que grandes obras sejam suspensas até que os governos definam regras mais claras. Na Europa, o debate opõe a ambição de alcançar os Estados Unidos e a Ásia no desenvolvimento de IA à manutenção de controles e proteções públicas, geralmente mais rigorosos.
Em entrevista na quinta-feira, a chefe de tecnologia da União Europeia, Henna Virkkunen, disse que o bloco precisa de mais data centers para desenvolver a IA, mas que a expansão deve ser conduzida com cautela. Ela destacou investimentos em fabricação de chips, startups de IA e um plano para construir Gigafábricas na região. Também afirmou ser essencial que os cidadãos possam confiar que os projetos não elevarão as contas de energia, provocarão apagões ou causarão danos ambientais. Um projeto do Google na Finlândia é alvo de investigação criminal por desmatamento; Itália e Portugal estão tornando mais rígidas as normas ambientais para data centers; e a Microsoft desistiu de um projeto no Reino Unido após atrasos na infraestrutura. A Holanda tem cerca de 200 data centers planejados, em construção ou em operação.






