
Conservadora trabalha na recuperação dos afrescos da Casa de Marco Fabio Rufo, em Pompeia (Foto: Instagram)
A Casa de Marco Fabio Rufo, tida como a maior e mais imponente residência de Pompeia, voltará a receber visitantes após mais de quatro décadas fechada. Interditada desde 1980, a mansão de quatro andares foi soterrada pela erupção do Vesúvio em 79 d.C. e hoje se destaca pela riqueza de seus afrescos, incluindo a célebre Vênus de Pompeia.
O restauro será bancado por uma doação de 1,4 milhão de euros — cerca de R$ 7,9 milhões — oferecida pelo empresário alemão Frank Hoefer, fundador da empresa PompeiAR. O apoio financeiro foi oficializado nesta semana, quando Hoefer e o diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, Gabriel Zuchtriegel, assinaram o contrato de patrocínio.
Erguida sobre as antigas muralhas da cidade, a casa impressiona pela fachada marcada por enormes janelas voltadas para o Golfo de Nápoles. Inspirada nos palácios imperiais de Roma, a construção conta com um labirinto de corredores, escadas e passagens de serviço, distribuídos em quatro pavimentos que revelam o luxo de uma vila urbana sem paralelo em Pompeia.
De acordo com arqueólogos, o proprietário originário pode ter sido um magistrado local ou um liberto da corte imperial, detentor de recursos expressivos que viabilizaram uma moradia de proporções inéditas. No interior do complexo, equipes encontraram várias vítimas da erupção do Vesúvio, cujos restos ainda repousam nos pontos em que faleceram.
O foco principal da restauração são os afrescos, muitos dos quais conservados em alcovas e capelas rituais. Entre as peças mais notáveis está a pintura de Vênus, localizada em uma espécie de sanctuarium doméstico. Técnicos especializados irão consolidar pigmentos, reparar fissuras e aplicar métodos de conservação avançada.
A iniciativa de Hoefer surgiu após a leitura do livro “Pompeia: a cidade encantada”, lançado por Zuchtriegel em 2023. Natural do sul da Alemanha, o empresário fez sua primeira visita ao sítio arqueológico em 1974, aos 16 anos, e afirma ter se apaixonado pelas detalhes da vida cotidiana, pelas construções e pelas obras de arte preservadas no local. Segundo ele, reabrir a casa é um projeto “apaixonante” que depende também de novos apoiadores.
Para enriquecer a experiência dos visitantes, o Parque Arqueológico planeja integrar tecnologia digital, por meio de realidade aumentada e aplicativos interativos, ajudando a desvendar a complexidade dos ambientes como se fossem palácios napolitanos do século XIX — embora remontem a dois milênios. A previsão é liberar parte da residência para visitas guiadas em grupos até o final de 2026, pouco antes do Natal.






