Homem passa 39 anos preso por crime que não cometeu após falso testemunho de criança

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O norte-americano Ricky Jackson passou 39 anos preso por um assassinato que não cometeu, após ser condenado com base no depoimento de uma testemunha que tinha apenas 12 anos. O caso aconteceu em Cleveland, no estado de Ohio, nos Estados Unidos, em 1975, e só teve uma reviravolta décadas depois, quando o homem que havia testemunhado contra ele admitiu que não presenciou o crime. Jackson foi libertado em novembro de 2014, após a Justiça reconhecer que sua condenação não poderia ser mantida.

A acusação teve origem na morte de Harold Franks, assassinado durante um roubo em maio de 1975. Jackson e outros dois homens, Wiley Bridgeman e Ronnie Bridgeman, que posteriormente adotou o nome Kwame Ajamu, foram apontados como responsáveis pelo crime.

A principal prova apresentada contra os três foi o relato de Eddie Vernon, então com 12 anos. O menino afirmou ter presenciado o assassinato e identificou os acusados. Apesar da ausência de provas materiais que ligassem Jackson ao crime, o depoimento foi considerado suficiente para sustentar a condenação.

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Jackson recebeu inicialmente uma sentença de morte por homicídio agravado, além de condenações relacionadas a tentativa de homicídio e roubo. Posteriormente, a pena foi convertida em prisão perpétua, em razão de mudanças nas regras sobre a aplicação da pena capital.

Durante o período em que esteve preso, Jackson continuou afirmando que era inocente. O caso voltou a ser investigado depois que uma reportagem publicada pelo jornal Cleveland Scene, em 2011, levantou questionamentos sobre a versão apresentada pela principal testemunha.

A revisão do caso revelou informações que colocavam em dúvida a presença de Vernon no local do assassinato. Anos depois, ele reconheceu que não havia visto o crime e relatou ter sofrido pressão de investigadores para sustentar a acusação.

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A retratação abriu caminho para uma nova análise judicial. Em novembro de 2014, as condenações foram anuladas, permitindo que Jackson deixasse a prisão depois de quase quatro décadas.

Na época da libertação, o caso foi reconhecido como um dos períodos mais longos de encarceramento de uma pessoa posteriormente inocentada nos Estados Unidos.

Após recuperar a liberdade, Jackson recebeu uma indenização milionária do estado de Ohio pelo tempo em que permaneceu preso injustamente. Sua história também passou a ser abordada em produções e debates sobre condenações equivocadas e o uso de testemunhos em processos criminais.