Geraldo Neto nega novamente feminicídio de Gisele Alves em depoimento de oito horas

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Tenente-coronel Geraldo Neto ao lado da soldado Gisele Alves, cuja morte está sob investigação (Foto: Instagram)

O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Neto, reafirmou sua inocência ao depor por mais de oito horas, sustentando que a soldado Gisele Alves cometeu suicídio. As declarações foram prestadas em audiência que precede a decisão judicial sobre a possibilidade de levá-lo a júri popular pelo feminicídio da ex-companheira.

Gisele, de 32 anos, foi encontrada baleada na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento que dividia com Neto na Barra Funda, zona oeste da capital paulista. A perícia oficial concluiu que o tiro fatal partiu da arma do tenente-coronel, mas ele insiste que a soldado tirou a própria vida, tese rejeitada por três laudos periciais.

Um dos pontos controversos envolve a árvore de Natal que estaria posicionada ao lado do sofá, supostamente impedindo a visão de Neto quando saiu do banheiro. Peritos reproduziram a cena em simulação e concluíram que o enfeite não poderia ter sido movido sem ser notado. Imagens de câmeras corporais dos policiais que atenderam a ocorrência e o relato de um bombeiro que socorreu Gisele confirmam a presença da árvore intacta no cômodo.

O exame complementar indica ainda que a vítima foi abordada por trás, imobilizada e morta com um tiro à queima-roupa, e não teria sido capaz de disparar contra si mesma. Marcas encontradas no queixo de Gisele e a trajetória do projétil reforçam essa conclusão. Sangue identificado no banheiro, em uma toalha e na bermuda do oficial também compõe o conjunto probatório, contestado por Neto, que acusa agentes de terem alterado a cena do crime.

Mensagens trocadas entre o casal revelam conflitos frequentes. Em uma gravação de áudio enviada 12 dias antes da morte, Gisele diz ter sido tocada no rosto de forma agressiva durante uma discussão. Neto nega ter sido violento e afirma que as conversas teriam sido forjadas para incriminá-lo, alegando que a ex-companheira usava seu celular para enviar mensagens contra ele.

Outra troca de mensagens mostra o tenente-coronel dizendo que tratava Gisele “como um macho alfa”, esperando submissão. Ele rejeita parte das conversas apresentadas em juízo, mas admite ter enviado mensagem na qual afirma que o “sexo” entre os dois “era caro”, pois arcava com as despesas dela. Apesar de a soldado ter manifestado o desejo de se separar, Neto alegou na audiência que ela não desejava realmente o divórcio.

A defesa de Geraldo Neto requereu sua liberdade provisória, argumentando que não há risco de interferência no processo. O Ministério Público se manifestou contra a soltura, argumentando que o oficial poderia usar sua influência para comprometer depoimentos. O tenente-coronel segue preso preventivamente até que a Justiça defina se ele será submetido ao Tribunal do Júri por feminicídio.