
Combatentes houthis em desfile armado no Iêmen (Foto: Instagram)
No sábado (10/10), um ataque atribuído aos rebeldes houthis do Iêmen atingiu o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, deixando 12 mortos e 309 feridos, de acordo com a autoridade de aviação civil saudita. Entre as vítimas estavam quatro sauditas, dois de Bangladesh e cidadãos dos Estados Unidos, da Jordânia, da Palestina, da Síria, do Sudão e do Egito. As operações no terminal foram suspensas imediatamente.
Autoridades do reino qualificaram o atentado como crime de guerra e prometeram retaliar por meio da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita. Embora os houthis não tenham reivindicado diretamente o ataque de sábado, o grupo havia assumido a responsabilidade pelo bombardeio ao mesmo aeroporto na quinta-feira anterior, que deixou três mortos e danificou uma aeronave civil.
Nas últimas semanas, os houthis intensificaram incursões em solo saudita, mirando não apenas aeroportos, mas também infraestrutura crítica em Riad. O grupo conseguiu penetrar com facilidade as defesas aéreas locais, expondo falhas que desmentem a reputação de estabilidade que o país cultivou nas últimas décadas.
Os houthis são um movimento político e religioso armado do norte do Iêmen, formado por muçulmanos xiitas zaiditas e alinhado ao Irã. Eles se consideram parte do “eixo da resistência” contra Israel, os Estados Unidos e o Ocidente em geral, atuando em conjunto com grupos como o Hamas, na Faixa de Gaza, e o Hezbollah, no Líbano.
Além das ações contra aeroportos, os houthis têm buscado assumir posições estratégicas ao longo da costa do Mar Vermelho e nas imediações do Estreito de Bab el-Mandeb, rota vital para o comércio global. O governo iemenita assegura ter garantido a segurança do estreito, mas as ameaças a navios nessa região têm aumentado, pressionando ainda mais a economia saudita.
A guerra civil no Iêmen, iniciada há mais de dez anos, opõe o governo reconhecido internacionalmente aos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã. O conflito já causou milhares de mortes e mergulhou o país em uma das piores crises humanitárias do mundo. A Arábia Saudita, que lidera uma coalizão em apoio ao governo de Sanaa, recorreu a ataques aéreos intensos, mas sem conseguir retomar totalmente os territórios controlados pelos houthis.
Com uma das forças aéreas mais poderosas do Oriente Médio, Riad lançou mísseis e drones contra posições rebeldes, mas os houthis responderam com ataques precisos a instalações como o complexo petroquímico de Khurais e bases em Jizan. Eles também visam a rota marítima do Mar Vermelho para causar prejuízos econômicos globais e pressionar Teerã, que vê nesse grupo um aliado estratégico.
Em setembro, a Casa Branca descartou intervenção direta, mas passou a fornecer apoio de inteligência aos sauditas e enviou especialistas militares ao país. Após a morte de um cidadão americano no ataque em Riad, o presidente dos EUA, Donald Trump, classificou o fato de “terrível” e não descartou uma ação conjunta. No entanto, a proximidade das eleições de meio de mandato tende a limitar decisões drásticas, deixando aberto o risco de nova escalada antes de uma eventual trégua instável.






