
Dólar fecha no maior patamar desde agosto e chega a R$ 5,1937 (Foto: Instagram)
O dólar encerrou o pregão de quinta-feira (24 de setembro de 2026) em alta de 0,49%, cotado a R$ 5,1937, marcando seu maior fechamento desde 28 de agosto. Os investidores reagiram tanto a dados recentes do mercado americano quanto a fatores domésticos que influenciaram projeções eleitorais, mantendo atenção em indicadores de emprego e inflação nos Estados Unidos.
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Em sintonia com o fortalecimento global da moeda americana, o dólar voltou a se valorizar diante do real, embora com ganhos inferiores aos 1,28% registrados na véspera. O movimento foi impulsionado pela elevação dos preços do petróleo e por apostas em novos aumentos dos juros pelo Federal Reserve (Fed), cujos dirigentes têm adotado postura cada vez mais hawkish.
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Operadores também apontam que a divulgação, pelo jornal Estadão, de ligações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro coincidiu com picos acima dos R$ 5,20. De acordo com a apuração, o candidato do PL à Presidência tentou contato telefônico com o ex-controlador do Master quatro dias antes da prisão do banqueiro, em 17 de novembro do ano passado.
Após alcançar o recorde intradia de R$ 5,2019, a moeda norte-americana fechou em R$ 5,1937, com alta acumulada de 1,78% nos dois últimos pregões. Em setembro, o dólar já registra avanço de 0,26%, depois de subir 2,16% em agosto. Na quinta, o real sofreu menos do que outras divisas emergentes, como o peso colombiano e o mexicano, que perdeu força após o Banco Central do México manter a taxa de juros em 6,5%.
Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, destaca que “o movimento de valorização global do dólar e o aumento dos rendimentos dos Treasuries, impulsionados pela disparada do petróleo, explicam parte das perdas nas moedas emergentes”. Para ela, o ambiente externo segue como o principal motor da taxa de câmbio.
Os preços do petróleo recuaram das máximas do dia após a agência Reuters informar que Estados Unidos e Irã estariam buscando um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz. Mesmo assim, o barril de Brent para dezembro subiu 3,41%, atingindo US$ 106,60, com ganhos de quase 4% na semana e de mais de 18% ao longo do mês.
No cenário interno, Marcel Lima, sócio da Valor Investimentos, observa um esfriamento do otimismo em relação à vitória de Flávio Bolsonaro. Ele atribui essa mudança à estagnação das intenções de voto do senador nas últimas pesquisas eleitorais e aguarda novo levantamento do Datafolha previsto para a noite.
Além disso, o índice DXY — referência do dólar ante seis moedas fortes — subia 0,18%, aos 101.274 pontos, com pico de 101.398, seus níveis mais altos desde julho. Dados recentes de PMI acima do esperado, pedidos de auxílio-desemprego abaixo das projeções e declarações de dirigentes do Fed, como Beth Hammack (Cleveland) e Anna Paulson (Filadélfia), sustentam a perspectiva de novas altas nos juros americanos. “A inflação nos EUA permanece acima da meta há cinco anos, e a tensão entre EUA e Irã reforça o cenário de aperto monetário”, acrescenta José Faria Júnior, da Wagner Investimentos.






