
Candidata da Rede durante agenda de campanha em São Paulo (Foto: Instagram)
A dez dias do pleito, a campanha de Marina Silva (Rede) reclama da escassez de verbas do próprio partido para a disputa ao Senado em São Paulo. A ex-ministra do Meio Ambiente, que figura empatada nas primeiras posições das pesquisas, informa ter obtido apenas R$ 1 milhão de repasse da legenda, valor menor que o destinado a postulantes a assembleias estaduais e causa desconforto entre seus aliados, que apontam “flagrante prejuízo”.
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O coordenador-geral da campanha, Bazileu Margarido, oficializou a insatisfação ao enviar requerimento à Comissão Executiva Nacional da Rede, solicitando mais R$ 1,2 milhão oriundos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). No pedido, Margarido sustenta que a legenda reservou recursos para candidaturas consideradas estratégicas e que Marina, por aparecer de modo consistente entre as primeiras colocadas, deveria ser priorizada.
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No documento enviado à direção nacional, Bazileu destaca que as verbas deveriam contemplar as candidaturas mais competitivas e lembra que o pleito ao Senado em São Paulo coloca Marina entre os nomes de maior viabilidade. Aliados ouvidos pelo Estadão afirmam, porém, que esse pleito foi relegado pela cúpula da Rede, que até o momento não respondeu à demanda.
Dados do DivulgaCand consultados em 23 de agosto revelam que, enquanto a ex-ministra recebeu R$ 1 milhão, outros candidatos filiados à Rede ganharam quantias bem superiores. André Janones, a deputado federal por Minas Gerais, captou R$ 3 milhões; Heloísa Helena, candidata à Câmara pelo Rio de Janeiro, obteve R$ 2,8 milhões; e Luizianne Lins, concorrente ao Senado pelo Ceará, ficou com R$ 2,2 milhões. Em recente pesquisa Quaest, Luizianne marcou 19% das intenções de voto, em empate triplo dentro da margem de erro de três pontos porcentuais com Cid Gomes (PSB), que aparece com 25%, e Capitão Wagner (União), com 21%.
Marina ainda foi superada no repasse por Thiago Ávila (SP), candidato a deputado federal que recebeu R$ 1,5 milhão, e por ao menos dois postulantes à assembleia estadual e três à Câmara dos Deputados, cada um com quantias iguais ou superiores ao milionário repasse à ex-ministra. Também ficou atrás de Simone Tebet (PSB) e Guilherme Derrite (PP) – com R$ 6,5 milhões e R$ 5,85 milhões de seus partidos, respectivamente –, ambos empatados com Marina nas últimas sondagens.
Em nota, o presidente da Rede, Paulo Lamac, defendeu que o partido figura entre as legendas com menor participação no FEFC e que a estratégia nacional privilegiou candidaturas à Câmara dos Deputados, visando o fortalecimento institucional da sigla. Segundo ele, a captação de recursos privados pela campanha de Marina ultrapassou R$ 3 milhões, tornando-se o maior financiamento de campanha da Rede neste pleito.
Aliados de Marina consideram esse episódio mais um capítulo da rixa interna com o grupo de Heloísa Helena. Ainda neste ano, a ex-ministra chegou a cogitar deixar a Rede, mas acabou decidindo permanecer na legenda até o fim da disputa.






