
Contratos de juros futuros disparam com aversão ao risco e dólar em alta (Foto: Instagram)
Os contratos de juros futuros na B3 fecharam em forte alta nesta quarta-feira (23), acompanhando o avanço dos Treasuries nos Estados Unidos e a valorização global do dólar. Dados econômicos mais robustos da maior economia do mundo reforçaram as expectativas de que o Federal Reserve (Fed) terá de aplicar mais duas altas na taxa básica de juros até o fim de 2026, pressionando as curvas de rendimento globalmente.
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O petróleo também voltou a subir após a confirmação de que as conversas entre Estados Unidos e Irã não resultaram em avanços significativos, mantendo o risco de interrupções na oferta do insumo. No Brasil, uma agenda econômica mais leve e a manutenção do empate técnico entre os dois principais candidatos nas pesquisas mais recentes não ofereceram base para prorrogar o viés comprador que vinha predominando no mercado local.
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No fechamento do pregão, o DI para janeiro de 2027 subiu de 13,53% para 13,555%, o DI para janeiro de 2029 passou de 13,67% para 13,795% e o vencimento de janeiro de 2031 avançou de 13,864% para 13,985%. Esses ajustes refletem o contágio direto do exterior e o cenário de maior incerteza quanto às políticas monetárias.
Nos Estados Unidos, o rendimento da T-Note de dois anos saltou de 4,747% para 4,895% e o da T-Note de dez anos subiu de 4,970% para 5,115% ao longo da sessão, intensificando o movimento de alta ao longo da tarde. O barril de Brent para dezembro, referência para a Petrobras, encerrou o dia cotado a US$ 98,12, valorização de quase 3%, pressionado pelas tensões envolvendo Washington e Teerã.
Os indicadores preliminares de atividade (PMIs) dos setores de serviços e indústria dos EUA também vieram acima do esperado, alcançando patamares recordes desde 2022. “O movimento na curva americana foi muito expressivo. Os PMIs vieram bastante acima do previsto e complementam um quadro de inflação pressionada, que se soma à alta do petróleo”, explicou o economista Carlos Lopes, do BV. Segundo ele, praticamente toda a alta nos juros locais nesta quarta-feira deve-se ao ambiente externo.
Em entrevista a um podcast, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, ponderou que o banco central americano pode ter de tratar o atual choque de energia como fonte de inflação persistente, em vez de esperar que ele se dissipe por si só. Para Carl B. Weinberg, economista-chefe da High Frequency Economics, mesmo se o estreito de Ormuz for totalmente desbloqueado, a redução de estoques globais e os danos à infraestrutura do Golfo Pérsico devem manter a oferta restrita. No cenário doméstico, pesquisa Atlas/Bloomberg registrou empate técnico no segundo turno entre Lula (47,7%) e Flávio Bolsonaro (47,4%).






