Fitch mantém rating ‘A-’ do Chile com perspectiva estável

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Demanda chinesa por cobre reforça avaliação de risco do Chile (Foto: Instagram)

Na sexta-feira (18), a agência Fitch Ratings confirmou o rating de longo prazo em moeda estrangeira do Chile em “A-“, mantendo a perspectiva estável. Segundo o comunicado, a nota reflete um balanço fiscal robusto, com a dívida pública em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB) abaixo da média observada em nações com classificação semelhante. Além disso, a governança do país e o histórico de políticas macroeconômicas consideradas críveis reforçam a avaliação.

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Em seu relatório, a Fitch realçou que o endividamento governamental em relação ao PIB do Chile permanece inferior ao de pares com o mesmo grau de investimento. O documento também enfatiza a solidez institucional do país e o compromisso do governo chileno com regras fiscais e metas de orçamento equilibrado.

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Apesar desses pontos positivos, a agência ressalta que a renda per capita no Chile deve seguir mais baixa do que a observada em economias de classificação similar. A forte dependência das exportações de commodities, em especial cobre, e as métricas de dívida externa e de liquidez consideradas relativamente fracas também compõem os principais contrapesos avaliados.

A Fitch identifica ainda o risco de um fenômeno El Niño intenso que pode persistir até janeiro de 2027, impactando a atividade econômica. Em razão desse risco climático, a previsão de crescimento do PIB chileno para 2026 foi reduzida de 1,6% para 0,7%. No setor de mineração, a produção da estatal Codelco recuou 7,8% em termos anuais até julho, enquanto a taxa de desemprego alcançou 9,5%, o maior índice registrado no período pós-pandemia. Esses indicadores reforçam a cautela da agência quanto à trajetória de curto prazo da economia.

Mesmo com esses desafios, a Fitch avalia que o investimento público deve se recuperar no quarto trimestre de 2026, apoiando um crescimento mais robusto na segunda metade do ano. O retorno dos gastos governamentais em infraestrutura e serviços pode compensar parte da desaceleração observada e sustentar a demanda interna.

No campo monetário, o Banco Central do Chile segue atento às oscilações cambiais e aos preços internacionais do petróleo, fatores que pressionam a inflação. Com o hiato do produto em contração e alguma ociosidade no mercado de trabalho, a taxa básica de juros foi mantida em patamar considerado neutro. Em agosto, a inflação atingiu 4,1% em 12 meses, acima dos 3,5% esperados, puxada pelos preços de alimentos e transportes. A agência projeta que o índice encerrará 2026 em 4,2% e recuará para 3,2% ao final de 2027, à medida que as consequências do El Niño e do choque petróleo se diluam.