Exército do Camboja retoma exercícios militares conjuntos com os EUA após quase dez anos

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Soldados em exercício conjunto se preparam para Angkor Sentinel 2027 no Camboja (Foto: Instagram)

O Exército Real do Camboja comunicou, na sexta-feira (4), que vai reiniciar no início de 2027 os exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos, encerrados desde 2017 após quase uma década de suspensão. A informação foi divulgada por meio da página oficial da força no Facebook, sinalizando a retomada de laços que estavam paralisados.

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O anúncio surge após uma série de encontros entre altos oficiais de defesa dos dois países, cujo objetivo principal tem sido restaurar a cooperação bilateral prejudicada. De acordo com a declaração oficial, está agendado para fevereiro o “Exercício Angkor Sentinel 2027”, que marcará o primeiro encontro conjunto em solo cambojano desde a interrupção. A retomada indica avanços na superação de divergências, incluindo a preocupação norte-americana com os vínculos estreitos do Camboja com a China.

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Segundo o Exército Real do Camboja, o objetivo central do Angkor Sentinel é aprimorar a interoperabilidade entre as tropas e elevar as capacidades de resposta a desastres naturais, reforçando o compromisso mútuo em fortalecer a colaboração na área de defesa. O comunicado ressaltou que, além de desenvolver habilidades militares, esses exercícios servem para estreitar relações de amizade entre os militares de ambas as nações.

Em Washington, há especial atenção à crescente presença militar chinesa na base naval cambojana no Golfo da Tailândia. O governo de Pequim financiou uma ampla modernização da instalação, o que gerou suspeitas de privilégios secretos à China, levantadas pelos Estados Unidos. As autoridades do Camboja, porém, têm negado insistentemente qualquer acordo confidencial que favoreça interesses exclusivos chineses.

Outra preocupação americana refere-se ao histórico de direitos humanos no Camboja, sobretudo às prisões e processos contra opositores políticos atribuídos a tribunais controlados pelo Partido do Povo Cambojano, liderado pelo primeiro-ministro Hun Manet. Organizações de defesa dos direitos humanos afirmam que o governo utiliza o sistema judicial para silenciar vozes discordantes.

Em 14 de agosto, o premiê Hun Manet manteve diálogo com Elbridge A. Colby, subsecretário de Política do Departamento de Guerra dos EUA, para debater as relações bilaterais, com foco na retomada dos exercícios de defesa. Colby, terceiro oficial mais alto do Departamento de Guerra, foi recebido pelo líder cambojano, que elogiou o “impulso positivo” nas relações e o progresso nos preparativos para o Angkor Sentinel.

No mesmo mês, o almirante Steve Koehler, comandante da Frota do Pacífico dos EUA, encontrou-se com o comandante-chefe das Forças Armadas Cambojanas, general Vong Pisen. Ambos concordaram em reativar também um exercício naval bilateral suspenso em 2017, confirmando a disposição de aprofundar a cooperação militar nos próximos anos.