
Consumidora confere preços de alimentos em supermercado influenciados pela alta do índice da FAO (Foto: Instagram)
O Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) atingiu média de 133,3 pontos em agosto, representando alta de 1,9% em relação a julho revisado e de 2,5% sobre o mesmo período de 2025. A elevação nos valores internacionais das commodities alimentares foi atribuída a temperaturas elevadas e riscos climáticos que reforçaram as preocupações sobre a oferta global.
++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas
No mês, o Índice de Preços do Açúcar teve o maior salto, de 11,9%, influenciado pela expectativa de queda na produtividade da beterraba açucareira na União Europeia, efeitos do El Niño na Ásia, redução da produção no Brasil e pelo anúncio de importações de açúcar bruto pela Índia sem tarifas.
++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina
O Índice de Preços de Cereais subiu 2,2% em agosto frente a julho, sustentado por forte demanda de importação, temores sobre safras e incertezas em fluxos comerciais. O trigo avançou 2,6% no mês — 15% acima do nível de um ano antes — devido a interrupções logísticas no Mar Negro, perspectivas de produção mais baixas na Europa por conta do calor e da seca, e pela desvalorização do dólar.
Já o milho apresentou alta de 2,5% ante julho, pressionado por preocupações com o rendimento das lavouras nos Estados Unidos, queda na estimativa de produção na União Europeia, forte procura das indústrias de etanol e de ração, além de dificuldades de fornecimento causadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz e por gargalos nas exportações da Ucrânia. O índice de preços para o arroz subiu 0,5%, estimulado pelas compras constantes de países asiáticos e africanos.
O Índice de Preços de Óleos Vegetais registrou avanço de 1,1% em agosto, refletindo cotações mais altas de óleo de palma e de soja devido à demanda global firme e às apreensões com os efeitos do El Niño no Sudeste Asiático. Em contrapartida, os preços do óleo de canola e do girassol recuaram levemente, em função da expectativa de oferta abundante na próxima temporada.
O Índice de Preços da Carne subiu 1% no mês, puxado pelos aumentos nos valores das carnes de frango, suína e ovina. A carne suína, em especial, foi impactada por altas temperaturas que retardaram o ganho de peso dos animais na União Europeia. No entanto, os preços internacionais da carne bovina caíram diante da concessão de cotas de importação pela China, intensificando a competição entre exportadores do Brasil e da Austrália. Entre os produtos lácteos, o índice cresceu 2,3% ante julho, refletindo a menor oferta de leite na União Europeia devido ao clima quente e seco.
Em relatório sobre Oferta e Demanda de Cereais, a FAO projetou a produção global de grãos em 2026 em 2,98 bilhões de toneladas, queda de 2% ante 2025, mas ainda a segunda maior colheita da história. A estimativa para o milho foi reduzida a 1,31 bilhão de toneladas, com perdas na França e na Polônia compensadas por ganhos no Brasil e na Argentina. A produção mundial de trigo foi ajustada para 810,7 milhões de toneladas (queda de 3,8%), enquanto o arroz deve totalizar 553,1 milhões de toneladas na safra 2026/27, recuo de 1,9% em relação ao recorde anterior.






