
Vacina de mRNA personalizada reduz recidiva em melanoma (Foto: Instagram)
Uma vacina de RNA mensageiro criada pela Moderna em parceria com a Merck apresentou resultados animadores em estudo avançado contra melanoma, um dos cânceres de pele mais agressivos. A tecnologia, que ganhou notoriedade com as vacinas contra a Covid-19, agora é testada como estratégia terapêutica ao educar o sistema imunológico para reconhecer e atacar células tumorais específicas. O progresso sinaliza a possibilidade de uma nova fase na oncologia, focada em tratamentos customizados.
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Diferentemente de vacinas tradicionais, este imunizante é criado sob medida para pacientes que fizeram cirurgia para remoção do tumor e apresentam risco de recidiva. O processo envolve a análise genética da amostra tumoral, a identificação de mutações direcionadas e a formulação de um produto de mRNA personalizado. Em seguida, o paciente recebe doses combinadas ao Keytruda (pembrolizumabe), imunoterápico da Merck, resultando em desempenho superior ao uso isolado do medicamento.
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No estudo de fase 3, mais de mil pacientes com melanoma de alto risco participaram da pesquisa. As informações preliminares divulgadas pelas empresas indicam que a combinação vacina + Keytruda prolongou significativamente o período sem recorrência da doença ou metástase em comparação ao grupo tratado somente com o imunoterápico. Em análises anteriores, observou-se uma redução de 49% no risco de recidiva ou morte e de 59% no risco de metástase à distância ou óbito.
Embora os resultados sejam promissores, as companhias informam que os dados completos serão apresentados em um congresso médico antes de qualquer solicitação formal às agências regulatórias. Por ora, o tratamento permanece em caráter experimental e não está disponível para uso clínico. A expectativa é que as conversas com órgãos reguladores definam os próximos passos para autorização e disponibilização.
Para além do melanoma, a Moderna e a Merck já estão conduzindo ensaios envolvendo outros tipos de tumor, como câncer de pulmão de células não pequenas, bexiga e rim. A proposta é aplicar a mesma lógica de personalização genômica para cada doença, testando se o imunizante de mRNA pode gerar respostas imunes semelhantes e eficazes em diferentes neoplasias.
Especialistas destacam que o principal desafio a ser superado é a produção individualizada da vacina para cada paciente, que demanda sequenciamento genético rápido, formulação customizada e logística complexa de fabricação. Esses fatores precisarão ser aperfeiçoados para que a tecnologia possa ser produzida em larga escala e se torne um tratamento acessível globalmente.






