
Pressão de Treasuries e incertezas eleitorais elevam juros futuros (Foto: Instagram)
As taxas de juros futuros registraram alta nesta segunda-feira, refletindo a pressão dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) e o ambiente de cautela a poucos dias das eleições presidenciais. O clima político-econômico doméstico, combinado com a volatilidade externa, fez com que investidores passassem a prever um ciclo mais restritivo para a taxa básica de juros.
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A curva de juros abriu a semana em alta e ficou mais inclinada, mesmo com o petróleo perto da estabilidade. Relatos sobre um possível acordo entre Irã e Estados Unidos para suspender o enriquecimento de urânio levaram o Brent a oscilar moderadamente. Ainda assim, a perspectiva de um aperto monetário adicional pelo Federal Reserve manteve os Treasuries pressionados, elevando os prêmios dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), sobretudo nos vencimentos mais longos.
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No fechamento, o DI para janeiro de 2027 subiu de 13,548% para 13,565%; o de janeiro de 2029 avançou de 13,814% a 13,89%, e o de janeiro de 2031 foi de 13,934% para 14,05%. No mesmo horário, o rendimento da T-note de dez anos subiu de 5,165% para 5,233%, e o do T-bond de 30 anos passou de 5,496% para 5,550%. Ambos atingiram patamares próximos às máximas de 20 anos na sessão.
A estrategista de juros do BofA Securities, Meghan Swiber, afirma haver “espaço adicional para que os juros continuem subindo, à medida que os mercados precificam um pico maior para a taxa do Fed”. Sem um forward guidance claro de Kevin Warsh, presidente do Fed, ela acredita que os investidores seguirão ajustando as expectativas de alta enquanto a economia americana mostrar resiliência e a inflação permanecer elevada. O cenário no Oriente Médio e as discussões sobre navegação no Estreito de Ormuz também influenciaram a volatilidade dos preços do petróleo, que, apesar disso, fecharam abaixo de US$ 100 o barril do tipo Brent.
Para o gerente de Tesouraria do Banco Daycoval, Otávio Oliveira, a postura fiscal do governo Brasil pesa igualmente sobre os contratos de DI. Ele cita o reajuste do Bolsa Família, a ampliação do programa Desenrola, medidas para reduzir o preço dos combustíveis e a Medida Provisória que proíbe operações de empresas de apostas. “Todas as últimas ações do governo corroboram o expansionismo fiscal a seis dias das eleições”, afirma, num quadro de disputa acirrada entre os principais candidatos.
As pesquisas divulgadas nesta segunda mantêm o empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Segundo o levantamento BTG/Nexus, em eventual segundo turno Lula aparece com 46% das intenções de voto, contra 44% de Flávio. No primeiro turno, Lula subiu de 40% para 42%, enquanto Flávio permaneceu em 37%. Já na pesquisa Quaest, Lula oscilou de 37% para 39% no primeiro turno e alcançou 42% no segundo, mesmo índice registrado por Flávio, que se manteve estável entre 33% e 34%.






