
Manchas avermelhadas típicas do sarampo em criança reforçam a urgência da vacinação em São Paulo. (Foto: Instagram)
O aumento recente dos casos de sarampo em São Paulo acendeu o sinal de alerta das autoridades de saúde. Até o momento, 23 infecções foram confirmadas, o que reforça o alto potencial de contágio da doença, capaz de se disseminar mesmo antes do aparecimento dos primeiros sintomas. Para frear novos focos, o governo paulista intensificou sua campanha de vacinação e passou a recomendar tanto a imunização inicial quanto a revacinação em determinados grupos, abrangendo desde bebês com seis meses de idade até adultos de 59 anos.
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A maioria dos registros concentra-se na capital, em São Bernardo do Campo e em Guarulhos, e muitos dos pacientes ainda não haviam iniciado o esquema vacinal ou estavam com doses em atraso. Diante desse cenário, a Secretaria de Saúde de São Paulo recomenda que todos os não vacinados, bem como aqueles com esquema incompleto, procurem imediatamente os postos para receber a dose adequada.
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Especialistas lembram que a alta cobertura vacinal foi fundamental para controlar o sarampo nos anos anteriores. Em 2024, o Brasil reconquistou o certificado de país livre da circulação endêmica do vírus, o que não elimina o risco de casos importados e reforça a necessidade de manter a vigilância constante para evitar novos surtos.
O avanço de epidemias em países da América do Norte, assim como em nações vizinhas — Bolívia, Argentina e Peru —, eleva a probabilidade de reintrodução do vírus no território brasileiro. O intenso fluxo de viajantes entre essas regiões e o Brasil, aliado a índices de cobertura vacinal inferiores ao desejável, tem favorecido o ressurgimento de infecções.
O infectologista Renato Kfouri destaca que o sarampo está entre as doenças mais transmissíveis do mundo. “Partículas virais eliminadas ao tossir, espirrar ou falar podem ficar suspensas no ar por horas. Mesmo depois que o infectado deixa o ambiente, outras pessoas podem ser contaminadas sem contato direto. Além disso, a transmissão ocorre antes dos sintomas, de modo que um único caso pode gerar entre 16 e 18 novas infecções em indivíduos não vacinados”, explica o especialista.
Para reforçar a imunidade coletiva, o governo de São Paulo ampliou a oferta da vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — inclusive para quem já tomou doses anteriores. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a cobertura vacinal na faixa etária de 6 meses a 59 anos está em 77,5% para a primeira dose e em 65,5% para a segunda, números ainda aquém da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde.






