
Moedas empilhadas simbolizam a oscilação dos juros futuros (Foto: Instagram)
Os juros futuros na B3 tiveram dia de oscilações moderadas nesta quarta-feira (07), refletindo dúvidas sobre o quadro fiscal e o cenário político. Sem gatilhos específicos, as taxas de curto prazo recuaram ligeiramente, alinhadas aos cortes já precificados para a Selic, enquanto os vencimentos mais longos recuperaram parte do forte ajuste de baixa visto nos últimos dois dias, que somou mais de 100 pontos-base. O mercado mantém um otimismo cauteloso quanto à possibilidade de alternância de poder em 2027, mas falta visibilidade de um plano fiscal robusto para antecipar nova rodada de quedas.
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No fechamento, o DI para janeiro de 2028 oscilou para 12,605%, o contrato de janeiro de 2029 cedeu a 12,435% e o de janeiro de 2031 avançou a 12,600%. No exterior, o título de dois anos do Tesouro americano caiu a 4,758%, o de dez anos permaneceu em 5,291% e o de 30 anos subiu a 5,670%. Essas máximas na ponta longa foram moderadas após leilão de US$ 39 bilhões em papéis de 10 anos – o maior desde 2000 – e pela ata do Federal Reserve, que reforçou expectativa de novo aumento de juros nos EUA, mas teve efeito neutro na curva.
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Para o sócio-fundador e CIO da Persevera Asset, Guilherme Abbud, o movimento recente tem sido guiado pelo cenário local e pela evolução nas projeções eleitorais. “Após a euforia inicial no rali pós-primeiro turno, os investidores ainda não enxergam um ajuste fiscal capaz de sustentar nova queda mais acentuada dos juros, o que mantém um prêmio relevante nas taxas”, afirma.
No entanto, Abbud ressalta que, em sua avaliação, os títulos pré-fixados de longo prazo oferecem o maior potencial de valorização, pois sua visão do desafio fiscal difere da maioria do mercado. Ele destaca que o debate costuma se concentrar no resultado primário, estimado em cerca de 0,5% do PIB, enquanto o déficit nominal atinge quase 10% do PIB.
Além disso, o CIO aponta que declarações mais focadas na austeridade por parte de um eventual novo governo poderiam reduzir significativamente a percepção de risco e dar ao Banco Central espaço para intensificar o ciclo de cortes na Selic. “Com juros mais baixos, grande parte do ajuste viria da redução do custo da dívida pública”, explica.
Por fim, o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, observa que um novo rali dos juros domésticos dependerá tanto da diferença de intenções de votos nas próximas pesquisas quanto de avanços no pacote fiscal para 2027. Na carteira mensal de renda fixa da EQI Research, há recomendação de ampliar posições em títulos indexados à inflação (NTN-B) de longo prazo, mas o analista João Abdouni aconselha uma “recalibragem gradual” das alocações, pois o mercado já antecipou parte das movimentações nos últimos pregões. A continuidade das valorizações, segundo ele, exigirá medidas concretas de consolidação fiscal e reformas estruturais.






